30.4.04




Salvador, Pequeri e a Vila

Como o dia de hoje não pode passar sem música, é um clássico de Noel Rosa que embala os festejos caymmianos deste blógue.

Foi ouvindo Stella Maris cantar este samba no auditório da Rádio Nacional que nosso aniversariante se apaixonou, lá pelo fim da década de 1930.

Hoje, eles festejam também 64 anos de casamento.

Último desejo
Noel Rosa

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete
Sem retrato e sem bilhete
Sem luar e sem violão
Perto de você me calo
Tudo penso, nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero seus beijos
Mas meu último desejo
Você não pode negar

Se alguma pessoa amiga
Pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não
Diga que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separação
Às pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que o meu lar é o botequim
Que eu
Arruinei sua vida
Não eu não mereço a comida
Que você pagou pra mim

(Illustração: Noel Rosa/http://vitrolaz.uol.com.br)

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As rosas de abril

Compositor mais festejado (cantado, lembrado, comentado...) neste blógue, o aniversariante Dorival Caymmi iniciou as comemorações de seu 90º aniversário com um café da manhã pra lá de florido.

Só do Bip, recebeu 90 rosas e um cartão.

O texto, assinado pela comunidade bipense, teve a sensibilidade e a doçura costumeiras de seu autor: o amigo Marceu Vieira. Sem falar na inspiração...

“Querido poeta,

um dia o senhor disse que o Aldir, o nosso Aldir, era o ourives do palavreado. Disse que todo mundo era carioca - mas o Aldir era carioca mesmo. Foi nos 50 anos dele.

Agora, nos seus 90, sem a sua graça, deu na gente a vontade de dizer que o senhor é o próprio ouro que cobre o palavreado. Que todo mundo é brasileiro - mas o senhor é brasileiro mesmo.

Dá também uma emoção danada e um desejo sem tamanho de agradecer, agradecer, agradecer, agradecer, agradecer só pelo senhor existir.

Nós, seus sinceros fãs do botequim Bip Bip (onde roda de samba sem música de Dorival é como vatapá sem dendê), o amamos.

Beijos também em dona Stela, em Nana, Dori, Danilo, seus netos, bisnetos e todos que o cercam.

Com carinho,
da turma do Bip Bip”


(Foto: Léo Aversa/www.leoaversa.com)

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Ô, Stella...! Qué trazê os jornais...

Conforme adiantou a amiga Helena Aragão num comentário de ontem, ficou mesmo uma beleza o material do JB sobre os 90 anos de Dorival Caymmi.

Num pingue-pongue com sua neta e biógrafa Stella, o aniversariante nos presenteia com momentos divertidos como o trecho a seguir, sobre o vil metal:

“A riqueza tem duas faces. Uma, a face de ser cômoda, de se ter muito. Mas, a toda hora, os ricos têm que atender alguma coisa. É o resultado de ser rico. Meus amigos milionários sempre tinham muitas preocupações. Então, eu nasci para a classe média mesmo.”

Ainda assim, foi da própria Helena a melhor surpresa do B: um perfil hilário com Dona Stella, Stella Maris - a esposa ciumenta de Dorival (“Vi cenas que me abalaram muito na Rádio Mayrink Veiga. Coisa de putaria mesmo...”). Enfiei este parágrafo tardiamente neste pôste, pois só percebi a matéria da Helena quando vi o impresso – depois de passar batido pelo link no JB Online.

Do material d'O Globo, o que mais gostei foi da coluna do Dapieve - achei o restante meio informativo demais, quente de menos.

(Foto: Revista Saúde/http://saude.abril.com.br)

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29.4.04




Faz-me-rir

Por ocasião do mínimo, confirmado há pouco em R$ 260 (depois de grossa lenga-lenga), o samba de hoje é do portelense Ernâni Alvarenga:

Salário mínimo

Cansei de tanto trabalhar
Na ilusão de melhorar
Cinco filhos, mulher e sogra
Pra sustentar
Setecentos e cinqüenta cruzeiros não dá
Não dá, não dá
Não, não dá

Trabalhei demais por causa deles
Os trajes deles são os de Adão e Eva
Se acostumaram a passar mal
Mas isso não é legal
A vida que a gente leva
(Eu cansei!)

(Foto: Associação Brasileira de Telemarketing/www.abt.org.br)

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Enquanto isso, no Jardim Botânico...

Meu bairro em duas notas:

A boa
A loja “caveira-de-burro” localizada na esquina da Rua Jardim Botânico com a Lopes Quintas (ex-restaurante, ex-concessionária de motos, ex-outras coisas) está recebendo um trato para virar uma livraria. Como minha apuração ficou incompleta, só me resta torcer para que a livraria esteja mais pra Travessa, menos pra Saraiva.

A ruim
Conforme nota d’O Globo Online assinada por William Helal Filho e encaminhada a este blógue por Débora Thomé (a popular Bacha), meu bairro está prestes a virar um funil dos brabos. De hoje a 31 de maio, entre 10h e 16h, a rua terá “uma faixa de trânsito fechada alternadamente para serviços de renivelamento de ralos e tampões”. Só passarão moradores, ambulâncias, bombeiros e a poliça.

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28.4.04


Poeta, meu poeta camarada...

Na antevéspera dos 90 de Dorival, quem chega hoje aos 55 é o querido Paulo César Pinheiro - grande compositor, poeta, letrista e – de quebra – pai da Aninha.

Em sua homenagem, fiquemos com a letra deste sincopado à francesa - um dos melhores de suas safras mais recentes, muito bem gravado por Miúcha e Mônica Salmaso.

Cabrochinha
Mauricio Carrilho e Paulo César Pinheiro

Ô, cabrochinha, venha ver quem chegou
Chegou no bico do sapato seu mulato flozô
Bota um vestido curto, aquele justo e lilás
Que tem um corte do lado e um decote atrás
Dei sorte na loteca, uma merreca pintou
Repara só na beca que seu nêgo comprou
Vou te levar pra jantar, cabrochinha, desta vez
Num restaurante francês

Ô, s’il vous plaît, monsieur garçon
Leva o menu, que eu não entendo lhufas
Eu vou pedir esse Don Perignon
Um escargot e um filé com trufas
Depois daquela sobremesa que flamba
A gente volta pro samba
A gente encerra o glamour
No fim da noite um bangalô,
Um peignoir, um abat-jour
Pra gente fazer amour

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A mortadela da discórdia

Em minhas caminhadas por Andarahy, digo, Icarahy, um dos cantos de que mais gosto é a Padaria Beira Mar, que, com um amplo salão de chá e o saboroso expresso italiano Segaffredo (patrocinador de Senna na Toleman e na Williams), é practicamente um monumento ao lunch.

Mas, como não há bairro sem mazelas, foi justamente na referida padaria que tive minha primeira decepção com o antigo bairro nictheroyense – não contando, claro, o Botafogo.

Aconteceu num início de noite de sexta-feira, quando o bufê do salão de chá não satisfez e me dirigi ao balcão - digníssima ao lado – para pedir um sandwich de queijo com mortadela, no intento de concluir os trabalhos.

Pois a resposta não só foi negativa, como causou reboliço no estabelecimento: a mocinha do caixa cofiando os bigodes, a atendente fazendo cara de “como assim” (“por aqui não servimos esse tipo de coisa”), o gerente franzindo a testa.

Pois é isso mesmo, amigos: em Nictheroy há uma padaria que não serve sandwich de queijo com mortadela! Não adianta chiar, chamar o bispo ou dizer que é sobrinho-bisneto do Presidente Backer. Na Beira Mar, só se pode comer de blanquet de peru pra cima.

(Imagem:Aula Diabetes/www.usuarios.lycos.es/educadiabetes/)

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27.4.04




"Teu carro tá pra lá, é? Ah, eu te levo até ele..."

Pelo beijo sem-jeito de um ano atrás - tendo por testemunha uma esquina de Copa - e pelo amor compartilhado até aqui (e daqui pra frente), peço licença à multidão de leitores deste blógue para oferecer esse campo de girassóis - virtuais, mas sinceros - ao meu amor.

Ô, história boa de se fazer...

E paremos por aqui, que ainda há muito por se dizer pessoalmente. :)
(Foto: The Rolling Thunder Express/www.rollingthunderexpress.com)

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26.4.04




Contra fel, moléstia, crime

A estréia fotográfica de Clarinha neste blógue tem como mote o primeiro mês de vida da pequena, comemorado no último sábado, dia 24.

A photo foi tirada na véspera do mensário, dia de São Jorge, quando visitei a família Silva-Goldenstein e, depois de uma série de bons tratos (vinho no decantador, queijos e ótimo papo, entre outros), saí de lá com as mãos ocupadas por presentes: uma colomba pascal e o CD Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo.

Por falar em Dorival, foram dele as três músicas que tive o prazer de cantar pra Clarinha (vide photo): a cantiga Acalanto, a praieira Quem vem pra beira do mar e esta História pro Sinhozinho que vai postada a seguir:

Na hora em que o sol se esconde
E o sono chega
O sinhozinho vai procurar (hum, hum, hummm...)
A velha de colo quente
Que canta quadras
Que conta histórias para ninar (hum, hum, hummm...)

Sinhá Zefa que conta história
Sinhá Zefa sabe agradar
Sinhá Zefa que quando nina
Acaba por cochilar
Sinhá Zefa vai murmurando
Histórias para ninar

Peixe é esse, meu filho?
Não, meu pai
Peixe é esse, é “mutum manguenem”
É a coca do mato “guenen guenen”
Suê, filho, ê...
Toca ê, marimba ê...

PS: Mais informações no blógue oficial da petiz.

(Foto: Marcelo Goldenstein)

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Já vai tarde, Levir...

Mesmo sabendo que esse negócio de demitir técnico não resolve nada, a primeira sensação é de alívio. Não deixa também de ser uma possibilidade de reinício, com novos ares e, quem sabe, alguma novidade pro time.

Só espero que o substituto seja trazido com a mesma perspectiva de longo prazo da contratação de Levir e que a diretoria alvinegra não invente de ressuscitar algum de nossos velhos frankensteins: Dé Aranha, Jair Pereira, Capita, Gilson Nunes, Joel Canabrava...

Isola na madeira!

(Foto: Miguel Sales Lopes/ www.miguelsaleslopes.com)

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El Diez

Uma beleza o material sobre Maradona publicado na seção esportiva d’O Globo de ontem, com assinatura da correspondente Janaína Figueiredo. Incluindo depoimentos do escritor Eduardo Galeano e do ex-jogador alvinegro Alemão (companheiro de Diego no Nápoli), é desses bons pra recortar e guardar no meio de livros, como costumo fazer.

Como acompanhamento para o material, deixo como sugestão de visita o site oficial de Maradona, que, além de caprichado no leiáute, é rico em informações históricas sobre o maior jogador argentino de todos os tempos - maior do mundo pros que, como eu, começaram a ver futebol na década de 1980.

(Foto: SoccerAge/www.soccerage.com)

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22.4.04


Botafogo com "saúde" de Maradona

Continua uma tetéia o centenário do meu clube, que, depois de cair de podre no Estadual e na Copa do Brasil, voltou à elite do Brasileirão levando uma sapatada do Goiás – terceiro colocado no Campeonato Goiano, vencido por um certo CRAC.

Quer dizer: depois de passar a semana lendo que Luizão era dúvida por não estar em forma (mesmo empregado pelo Botafogo há mais de um mês!), a torcida inda teve que amargar essa estréia safada no Campeonato Brasileiro, em pleno Caio Martins: Goiás 4 a 1, com o único gol alvinegro facilitado pelo bandeirinha.

Que diabos... Tá faltando o quê pra diretoria contratar direito e botar esse técnico na rua? Perder mais umas cinco?!!!

Único consolo: o campeonato é comprido.

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O boa-praça

Completaram-se ontem nove anos de morte de um dos mais queridos personagens bipenses que, como Mauro Duarte, não tive a felicidade de conhecer.

Trata-se do boa-praça Maurício Tapajós, compositor, bohemio de primeira, grande amigo do Alfredinho e parceiro de Paulo César Pinheiro neste clássico samba da década de 1970 que, por alguma razão (basta jogar no Google...), tem gente a balde que pensa que é do Chico Buarque.

Deve ser porque é bom pacas...

Tô voltando

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar, pode se preparar porque eu tô voltando

Põe prá tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá lá lá iá, lá lá lá lá lá iá, porque eu tô voltando

(Foto: Surto Hype/www.surtohype.com)

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20.4.04




Saco cheio

De ouvir que a favela tem que ser extirpada, que favela cerceia o direito de ir e vir, que não tem que urbanizar coisa nenhuma, que os favelados da Rocinha têm que ser mandados pra Santa Cruz (tipo Ctrl X e Ctrl V) e que o que sobrar por lá tem que ser queimado.

É só a chapa esquentar pras pessoas saírem dando uma de malucas, com suas propostas suásticas, higiênicas e pouco comprometidas.

Só na semana passada, vi Sandra Cavalcanti ser "ressuscitada" umas três vezes.

(Foto: Stillo Clear/www.stilloclear.com.br)

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Ismael e cia.

Ainda no rescaldo dos presentes de aniversário, o samba de hoje veio no presente da Cristina: um pacotão de Estácio, com dois CDs de Ismael, um Bide com Marçal, um Bide sem Marçal e um apanhadão de Brancuras, Baiacos e cia.

Meu único desejo
Ismael Silva

Tu devolveste meu retrato, minhas cartas
E os presentes, nada disso eu aceitei
O que eu só faço questão de receber e devolver
São os beijos que te dei

Se não é esse o meu único desejo
Não quero mais poder me retirar daqui
Quanto mais fecho os meus olhos, mais te vejo
Quanto mais foges, mais me sinto junto a ti

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19.4.04




Praça Floriano

Lançado por Carmen Miranda em 1936, este samba de carnaval é uma homenagem à praça que freqüentarei com mais assiduidade a partir de hoje, por conta da Feira do Livro.

Sambista da Cinelândia
Custódio Mesquita e Mário Lago

Sambista, desce o morro
Vem pra Cinelândia, vem sambar!
Que a cidade já aceita o samba
E na Cinelândia
Só se vê gente a cantar

Hoje está tudo tão mudado
E não há mais oposição
Escolas há por todo lado
De pandeiro e violão

Sambista, desce o morro...

O morro já foi aclamado
E com um sucesso colossal
E o samba já foi proclamado
Sinfonia nacional

(Foto: Nádia Raupp Meucci/www.fotonadia.art.br)

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Manicures do meu Brasil!

O técnico Vanderlei Luxemburgo lança hoje na Livraria Argumento, a partir de 19h, o livro É campeão!, escrito em parceria (é ruim, hein...) com Ingo Ostrovsky e editado pela Gryphus.

Ilustrada por uma seqüência de fotos em que Luxa dá um faniquito na beira do campo, a capa dá uma boa medida do que deve ser o miolo.

Como diz o bravo Paulão 7 Cordas, não posso deixar de perder.

(Foto: Renaissance Astrology/www.renaissanceastrology.com)

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Justo, justíssimo

Parabéns ao Flamengo, que resolveu o campeonato no segundo tempo da decisão e honrou com o título o status de melhor time do Estadual.

A Suíte Champion incontestável é do atacante Jean, autor dos três gols do campeão.

Pensão da Cremilda pro técnico vascaíno Geninho, com sua cara tristonha. Só ele não viu que acabariam em expulsão as bordoadas de Coutinho em Felipe, iniciadas já no primeiro minuto de jogo. Não dava pra fazer rodízio de marcadores?

Outras barangas: o juiz Edílson Soares, o rubro-negro Douglas e o cruzmaltino Júnior, pelo descontrole. Menção honrosa para o presidente vascaíno, Eurico Miranda, pelo papo furado de “chope encomendado”.

Facto inédito: Sampaulo é azul!

Discordo do amigo Janjão sobre a final paulista ser a “mais sem graça de todos os tempos”, como ele escreveu no Segundo Caderno de ontem, na matéria sobre os hinos. Não foi pela fraqueza dos “grandes” que Paulista e São Caetano chegaram à final, mas pela própria bola que jogaram no Paulistão.

Parabéns duplo ao Azulão, o campeão: pela legitimação do bom trabalho de sua diretoria e pelo fim dos vices (quatro ao todo: dois brasileiros, um paulista e um da Libertadores).

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16.4.04


O medo nosso de cada dia

O medo do bangue-bangue vigente na Rocinha e arredores já se reflete na Lapa, onde vi o movimento cair bastante na noite de ontem, pelo menos no Carioca da Gema - me fez lembrar a Segunda Sem Lei, em outubro de 2002, quando apresentamos nosso Lembranças Cariocas para um Dagema quase vazio. Nada mais compreensível, afinal, trata-se de um medo que não é fruto daquela "sociedade do pânico" apresentada por Michael Moore no polêmico Columbine. Ele é real e, como um "encosto", nos acompanha o tempo todo.

Ouvindo ontem um debate na rádio CBN, percebi que muito da conversa gira em torno da "ocupação" policial, assunto que me pôs a matutar.

Não sei exatamente o que faz parte do conceito de "ocupação" de uma favela, mas, se não houver muito além da presença da polícia na comunidade e seu trabalho pelo cumprimento da lei (como ocorre em Copa, na Tijuca, no Centro e outros bairros), por que falar na "desocupação" da Rocinha?

Curioso se conversava sobre "como é que vai ser quando a polícia vai desocupar a Rocinha?", se vai ser a longo prazo, se vai ser dentro de um mês, como vai ser a "transição", essas coisas...

Alguém por acaso pensou em não "desocupar", como acontece (ou deveria acontecer) em todos os cantos da nossa cidade?

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Marcelinho Trinta

Está de aniversário nesta sexta ensolarada o querido Carpes, nosso popular Lamego, que, antes de ser tornar renomado causídico, atacava mesmo era de pastor protestante nas igrejas do Sul dos EUA.

Em sua homenagem, hoje o samba dá lugar a um spiritual desses de chacoalhar vidraça, sobretudo quando cantado por um certo coral Viva Voz. Parabéns, compadre!

What kind o’ shoes are you gonna wear?

What kind o’ shoes are you gonna wear?
Golden slippers!
And what kind o’ shoes are you gonna wear?
Golden slippers!
Golden slippers I’m bound to wear
When I reach my heavenly home
Golden slippers I’m bound to wear
When I reach my home

Yes, yes, yes my lord
I’m gwine jine the heavenly quiya 2x
Yes, yes, yes my lord
When I reach my home

What kind o’ robeare you gonna wear?
Long white robe!
And what kind o’ robe are you gonna wear?
Long white robe!
Long white robe I’m bound to wear
When I reach my heavenly home
Long white robe I’m bound to wear
When I reach my home

Yes, yes, yes my lord
I’m gwine jine the heavenly quiya 2x
Yes, yes, yes my lord
When I reach my home

What kind o’ crown are you gonna wear?
Starry crown!
And what kind o’ crown are you gonna wear?
Starry crown!
Starry crown I’m bound to wear
When I reach my heavenly home
Starry crown I’m bound to wear
When I reach my home

Yes, yes
I’m gwine jine, oh yes, yes
I’m gwine jine, oh
I’m gwine jine the heavenly quiya
When I reach my home
(Hallelujah!)
Yes, yes
I’m gwine jine, oh yes, yes
I’m gwine jine, oh
I’m gwine jine (aos pulos) the heavenly quiyaaaaa
When I reach my... (when I reach my!)
When I reach my... (when I reach my!)
When I... reach my hoooome!

(Foto: Site Médiathèque/www.mediatheque-ales.com)

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15.4.04




Zelins, o mais parcial dos flamengos

Intitulada Flamengo é puro amor, a coletânea da José Olympio com as crônicas esportivas de José Lins do Rego é um retrato interessante do futebol brasileiro nas décadas de 1940 e 50.

Apesar do título parcial (como o escritor parahybano), a compilação não trata apenas do Flamengo. São personagens e factos diversos do futebol na visão (tendenciosa) de Zelins, que, entre outras marcas curiosas, tinha o hábito de chamar o flamenguista de flamengo, com éfe minúsculo - tipo “os flamengos prometem lotar o Maracanã”.

O texto postado a seguir tem como mote o Fla-Vas que decidiu o primeiro turno do Estadual de 45 e é um “esquenta” para a decisão de domingo. Foi uma das 1.571 crônicas que o autor de Menino de engenho escreveu para o Jornal dos Sports, tendo sido publicada em 14 de setembro de 1945.

O sapo de Arubinha

Chegamos ao fim do primeiro turno de um campeonato dos mais duros da cidade do Rio de Janeiro. Há um ponteiro invicto e concorrentes em ótimas colocações para a disputa do título. O Vasco da Gama possui, não há dúvida, uma verdadeira seleção1, com todos os recursos em material humano. Jogadores de primeira ordem e um técnico com sabedoria de um general de estado-maior2. Os adversários do Almirante tudo têm feito para derrubá-lo, mas tudo tem sido em vão. No próximo domingo, vai o Flamengo experimentar as forças de Golias, lá na sua própria furna3. A façanha do rubro-negro será uma lança na África se conseguir abater o gigante invencível.

Eu, de mim, faço fá na fibra de nossa gente. Gigante foi feito para não resistir à sagacidade e à bravura dos Davi.

E, depois, há aquele sapo de Arubinha bem enterrado pelas dependências de São Januário4. Eu acredito no sapo5.

Nohtas:
1 Liderado em campo por cracks do quilate de Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto e o Príncipe Danilo, aquele Vasco da década de 1940 ficaria conhecido como o Expresso da Vitória.
2 O uruguayo Ondino Vieira, a quem é atribuída a idéia de incluir a faixa diagonal na (então lisa) camisa do Vasco.
3 O Stadium de São Januário, àquela época o maior da cidade.
4 Frustrado com o título vascaíno no Estadual de 1936, o macumbeiro Arubinha teria enterrado um sapo no gramado de São Januário, como vingança pela desclassificação de seu querido Andarahy Athletic Club. A praga: enquanto o batráquio permanecesse em terras vascaínas, o Vasco não conquistaria títulos.
5 Deu Vasco, que venceu o turno (2 a 1 sobre o Flamengo) e mais tarde o campeonato, pondo fim a um jejum de nove anos sem título e à maldição do sabo de Arubinha, que – dizem – teria sido desenterrado em fins de 1944.

(Foto: Swansea, Mumbles & Gower/www.swansea-gower.demon.co.uk)

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Preparemos os cobres!

Além d’A Paixão de Cristo (que não larga o Odeon) e das revoadas de pombos (pobre do maestro Carlos Gomes...), a Cinelândia assiste à montagem das barracas da Feira do Livro, que todo ano “passa” pela praça nesta época do ano.

Os "trabalhos" serão abertos na próxima segunda-feira, dia 19.
(Foto: Janco Tanis/www.jancology.com)

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Turma da pesada

Está bem servido de choro o tal do Japão.

Não bastasse contar com a competência da flautista e compositora local Naomi Kumamoto, a Terra do Sol Nascente terá por duas semanas um quarteto da pesada que desembarcou em Tóquio nesta quinta-feira: o violonista Maurício Carrilho, a cavaquinista Luciana Rabello, o bandolinista Pedro Amorim e o percussionista Celsinho Silva.

Nossos fab four acompanharão Naomi na turnê japonesa de lançamento do CD Naomi vai pro Rio, gravado em Acari com produção de Maurício Carrilho. Em seguida, o quinteto será a atração principal do Festival de Música Brasileira em Kobe, de 23 a 25 de abril (veja o cartaz aqui, n'outro link mais ilustrativo que propriamente informativo).

Para saber mais sobre Naomi, sugiro uma visita ao site da Acari Records, especialmente à entrevista a Nanavaz (chamada na coluna à esquerda) e ao belo texto em que o CD é apresentado por Maurício Carrilho.

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14.4.04




Ô, dia!

Há 92 annos, era fundado na sede do Club Concórdia o Santos Football Club, assim mesmo, com nome à ingleza. Sua primeira camisa era tricollor (com listras verticais brancas, azuis e douradas) e seus primeiros cracks foram os briosos Geraule e Anacleto Ferramenta.

Na mesmíssima noite de domingo, affundava no Atlântico Norte o colossal navio Titanic, numa tragédia que teve como saldo final o total de 1.502 mortos e 705 sobreviventes. Era o quinto dia de viagem do transatlântico, que partira do porto inglez de Southampton e tinha como destino a cidade de Nova York, nos EUA.
(Imagem: Site Postcard Ocean Liners)

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Bença do dindo

Vai de vento em popa o araCaju News de Leonardo Zanelli, cada vez mais firme em seu propósito de trazer para o Sudeste os dizeres, costumes e fazeres (!!!) da gente sergipana. Prova disso são suas atualizações mais recentes: um certo “eitcha pentcha” (expressão local) e as façanhas de Zé Peixe – espécie de Arariboya de verdade.

Mas não é por nada disso que escolhi Zazá para tema deste pôste – tudo nariz-de-cera, enrolação das boas. O negócio é que ele e a Lu (meus afilhados de casamento) completaram na semana passada seu primeiro aniversário de matrimônio, no dia 6, razão pela qual ofereço a eles este Cartola:

Nós dois

Está chegando o momento
De irmos pro altar
Nós dois
Mas antes da cerimônia
Devemos pensar
Em depois
Terminam nossas aventuras
Chega de tanta procura
Nenhum de nós deve ter
Mais alguma ilusão

Devemos trocar idéias
E mudarmos de idéias
Nós dois
E se assim procedermos
Seremos felizes
Depois
Nada mais nos interessa
Sejamos indiferentes
Só nós dois
Apenas dois
Eternamente

(Foto: Mundo Digital)

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13.4.04




Foram me chamar...

A vitalidade é de uma pequena de 8,3 (quem já a viu saracoteando no palco, sabe do que estou falando), mas totalizam 83 as velinhas que nossa querida Dona Ivone Lara terá para soprar nesta terça-feira, 13 de abril.

Engrossando o caldo das comemorações, foi para o ar nossa coletiva virtual com a compositora, no recém-criado De conversa em conversa - blógue concebido por Paulamaya, também diagramadora, uébe-máster e fotógrafa (o cenário das fotos é o segundo andar do Café Odeon, no último 31/3).

Terceira de nossa panela (após Monarco e Walter Alfaiate), a entrevista com Dona Ivone é apresentada no novo blógue com lidão de Marcelo Moutinho e perguntas enviadas por nossos freqüentadores - obrigados a todos!

Feliz aniversário para a Grande Dama do Samba e muita sorte para o nosso De conversa em conversa.

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Nostalgia

Como as "flores tristes e baldias" de Gente humilde (choro do violonista Garoto letrado por Vinícius de Moraes, com uma pitada de Chico Buarque), o cenário contado pelos versos deste choro de Luiz Peixoto e Bororó é quase uma pintura rupestre de um Rio que não existe mais.

Como informa a página 14 da biografia de Orlando Silva que ganhei de Marcelo Motinha - O Cantor das Multidões, de Rui Ribeiro -, foi gravado em 1956 na bela voz do biografado. (Imagem: Ellen Assad)

Subúrbio
Luiz Peixoto e Bororó

Subúrbio, subúrbio
Das moças prendadas
Que fazem bordados
E querem casar
Dos cães vira-latas
Que latem à lua
Enquanto as galinhas
Se deixam furtar
Das ruas barrentas
Tão simples, humildes
Que até nem os nomes
Se lê nos jornais
Que sobem ladeiras
De noite sozinhas
De cem em cem metros
Um bico de gás
Subúrbio do tempo
Do chá com torradas
Sofá de palhinha
Xadrez e gamão
Subúrbio teimoso
Dos trens atrasados
Subúrbio pacato
Do meu coração
Meu Deus, quem me dera
Ir dar um passeio
Com vossas morenas
Cavar um namoro
Ir vê-las as pares
Domingo na praça
Sorrindo pra gente
Com dente de ouro
Ser noivo no Meyer
Ouvindo uma valsa
O "Sonho de Valsa"
Mimoso, sutil
Ser meio mulato
Mulato e foguista
Da Estrada de Ferro
Central do Brasil

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De volta à ativa!

Os amigos se lembram das cracas do sistema de busca do Cliquemusic de que tanto reclamamos por aqui?

Pois é... O site não só parece ter acabado com os problemas, como deu à busca um espaço mais nobre, bem na cara de sua home.

De quebra, a mudança ainda oficializa o que todo mundo já percebeu: o Cliquemusic se assume enquanto grande banco de dados de música brasileira, deixando para o segundo plano seu conteúdo noticioso.

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Porém... Ai, porém!

Uma olhada mais cuidadosa na caixa de Mário Reis - O cantor moderno (BMG), com três CDs - me fez observar alguns senões que passaram em branco de meu pôste de ontem sobre a matéria de João Máximo:

I. Está longe de ser um detalhe a ausência das gravações que não são da Victor. É estranho pegar uma compilação de Mário Reis e não ver Jura (Sinhô), Filosofia (Noel), Joujoux e balangandãs (Lalá), Cadê Mimi? (Braguinha e Alberto Ribeiro) ou qualquer uma das duplas com Chico Alves. Sugiro, portanto, que se separe mais umas 30 pratas para a coletânea Jura - homenagem do selo Revivendo ao cantor.

II. Ainda assim, Agora é cinza, de Bide e Marçal, foi gravado na RCA Victor (em 1933, com acompanhamento dos Diabos do Céu) e não foi para a caixa. Por mais que eu adore sambas lado B, senti falta.

III. A otimização que a Revivendo faz do tempo de seus CDs, aliás, bem que poderia ter servido de exemplo à BMG, que fez três discos muito “magrinhos”, cada um com 14 ou 15 faixas. Os discos da Revivendo são mais caros do que a média, é verdade, mas ninguém pode reclamar de sovinice - as bolachinhas digitais geralmente trazem vinte e poucas músicas. Em suma: já que 74 músicas não caberiam mesmo em dois discos, a BMG poderia ter engordado cada um dos CDs incluídos no pacote.

IV. Cadê os compositores gravados por Mário Reis no verso da caixa?! É o pior dos defeitos: o interessado pelo material (aquele que vai desembolsar cento e poucas pratas pelo produto) fica sem saber se tal marcha é de Lamartine Babo, se o outro samba é de Noel Rosa ou de Custódio Mesquita, essas coisas. Erro básico.

V. Outra informação sonegada pela caixa e que talvez fosse até comercialmente interessante ao produto: há faixas em que Mário Reis divide o microfone com Carmen Miranda, num dueto de grande valor para nossa música: Isto é lá com Santo Antônio, Chegou a hora da fogueira e outros Lalás famosos. Há duetos também com Lamartine Babo e Noel Rosa.

Se houver uma segunda tiragem, tomara que venha melhor.

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12.4.04




Cantando na chuva

Apesar do dilúvio que despencou sobre o Rio, não apresentou senões a roda de samba da última sexta, a da Paixão, no Bip-Bip. Merece destaque a bravura dos convivas.

Em retribuição, presenciaram momentos especiais como as canjas dolentes de Cid Benjamin, o coro da turma na Madrugada (Aniceto de Andrade) puxada pelo Alfredão e a interpretação de Cristina para este grande sucesso de Aracy de Almeida, do ano de 1946.

Saia do meu caminho
Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy

Junte tudo que é seu
Seu amor, seus trapinhos
Junte tudo que é seu
E saia do meu caminho
Nada tenho de meu
Mas prefiro viver sozinha
Nosso amor já morreu
E a saudade, se existe, é minha

Tinha até um projeto
No futuro, um dia
O nosso mesmo teto
Mas uma vida lhe daria
Fracassei novamente
Pois sonhei, mas sonhei em vão
E você francamente
Decididamente
Não tem coração

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Mário, Orlando, João e Paulinho

O Segundo Caderno de hoje traz matéria de João Máximo sobre a caixa de Mário Reis que está sendo lançada pela BMG, com 74 gravações do “inventor do jeito carioca de cantar” – boa definição que a matéria traz no título.

Outro gol da matéria é discutir uma das principais “verdades” sobre Mário Reis: a de que ele teria sido o precursor de João Gilberto. Muito oportuno o questionamento, até porque ambos foram importantíssimos para o modo brasileiro de cantar samba (coloquializando as cousas), mas não necessariamente foram precursor (MR) e seguidor (JG).

Vejo muito mais de Mário Reis, por exemplo, nos maxixes cantados por Paulinho da Viola – seja no Cansei (Sinhô) que ele tem cantado em shows, seja no Memórias conjugais que ele gravou no Bebadosamba, de 1996.

Já João Gilberto sempre disse - na época em que falava - que seu papa era Orlando Silva e que foi imitando o Cantor das Multidões que começou a se arriscar na vida de canário.

Polêmicas à parte, fica a sugestão de leitura e a satisfação de ter feito um pôste com quatro dos meus cantores preferidos.

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Pitos com ternura

Samba com refrão forte e letra na primeira pessoa (singela e cheia de imperativos), este que posto a seguir “tem a cara” de seu autor, o grande compositor Candeia.

Pois Viver é mais um ponto alto do novo disco de Teresa Cristina e, de quebra, ainda relembra os véios tempos do Bar Semente - época em que o intrépido cavaquinista João Callado inda engrossava o coro de nossa cantora (alguém se lembra disso?).

Viver
Candeia

Lalaiá, laiá
Lalaiá, laiara
Eu digo, até posso afirmar
Vive melhor quem samba

Vou pela rua cantando
E o clarão da lua vem ornamentar
Sim, vou levando alegria
Pra Dona Tristeza alegre ficar
Abra a janela do peito e deixe o meu samba passar
Samba não tem preconceito e já vai te libertar
A liberdade dos prantos
E dos desencantos que a vida nos deu
A liberdade que canto
É amor, é esperança pra quem já sofreu
Cada qual que olhar para trás
Verá que sempre há uma razão de viver
Quem guerreia pela paz
A verdadeira paz nunca há de ter

Cantem todos como eu faço
Perdoem os fracassos, a vida é tão curta
Enquanto se luta, se samba também
Noite fria, enluarada, fim de madrugada
Feliz, vou cantando, cantando a alegria
Que o samba contém

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8.4.04




Ça marche, ça marche...

Sei que aniversário não é dia pra se falar de mazelas, mas, como não é todo dia que se perde para um Michel Platini (desde 1986 não sabia o que era isso), o ex-craque da Juventus de Turim é a figurinha de hoje neste blógue.

Só que o estrago de ontem na Copa do Brasil – Gama 3 a 2, Botafogo eliminado – foi provocado pelo homônimo candango do meia francês: um certo Michel Platini Ferreira Mesquita, 20 anos e filho de um sujeito “engraçadão”, como falou ao Globo Esporte de hoje, explicando o nome surreal.

Quanto à derrota, é mais uma no centenário alvinegro. Pior pro técnico Levir Culpi, que, depois de sair ileso de um Estadual vexatório (sabe-se lá como...), fica com a corda no pescoço por causa de um tropeço idiota.

Se começar o Brasileiro aos trancos e barrancos - nada muito improvável, convenhamos - corre o risco de não chegar à quinta rodada...

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Dois bicudos

Há pouco mais de um ano, mais precisamente em 7 de abril, eu e meu compadre Alfredo Del-Penho participamos da primeira reunião sobre o projeto de disco que Maurício Carrilho tinha apresentado à gente: um CD todo cantado em dupla, com sambas éditos e inéditos, a ser lançado por um selo que surgiria do encontro entre Acari Records e Biscoito Fino.

Passados exatos um ano e um dia da tal reunião (realizada na casa de Luciana Rabello), o selo Quelé não só está na praça, como seu terceiro título está bem encaminhado. É que terminamos hoje, justo no dia do meu aniversário, as gravações do nosso Dois bicudos, com previsão de lançamento para junho e um repertório que tem sete regravações e oito sambas inéditos – arranjos de meu irmão Paulo Aragão, Paulão Sete Cordas, Cristóvão Bastos e Maurício Carrilho, nosso diretor musical.

Não será moleza fazer jus aos dois primeiros títulos Quelé (O lamento do samba, de PC Pinheiro, e Tem samba no mar, de Roque Ferreira), mas o jeito, por enquanto, é ficar na torcida e agradecer pelas boas lembranças que levaremos das gravações, a começar pelo carinho inesgotável das famílias Carrilho e Rabello-Pinheiro.

Fiquemos, pois, com a letra do último samba gravado (com a paciência costumeira do competentíssimo Amaro Moço, o técnico de som): um inédito de Aluísio Dias, baluarte mangueirense que, além de grande compositor, foi mestre de violão de Geraldo Pereira e Nelson Sargento:

Força total
Aluísio Dias

Mangueira
Quem te fala é um velho amigo
Que cantou, vibrou contigo
As glórias do carnaval
Mangueira
Em teu samba ritmado
Aí vejo confirmado
Teu passado imortal

Teu cenário, que beleza!
Cheio de luxo e riqueza
É uma festa musical
Com as alas e sambistas
Pastoras e teus ritmistas
Mangueira, és força total

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7.4.04




Na torcida

A hora de almoço de quem trabalha no Centro foi brindada hoje com uma ocorrência dessas que valem qualquer sobremesa: um fogaréu no prédio da Escola Naval, com direito a fumacê e aglomeração de populares em frente à CEF de Paulamaya, ali na esquina de Rio Branco com Almirante Barroso.

Como meu café de hoje foi por ali (num cyber-sebo que funciona no térreo do prédio incendiado), resolvi butucar os populares por um instante, trazendo daquela esquina as últimas pérolas que correm na boca de nossa gente:

“Deve ter alguém pra pular! Pode esperar que daqui a pouco aparece...”

“Ai, meu Deus... Será que é terrorismo?”

“Quero só ver como é que vai ser a explicação do Garotinho!!!”

“Xi... Se o bombeiro não chegar, vai queimar até o Municipal...”

Enquanto eu terminava o café, chegou enfim o primeiro carro de bombeiros - para a frustração dos populares.

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Tempeiro

Sincopado dos tempos em que não havia Dr. Scholl, este samba da dupla Zé e Zilda dispensa maiores apresentações. Nada que vá muito além da nossa Lapa, que há muito tem o Calo como um dos carros-chefes de Teresa Cristina e Pedro Miranda.

Gravado inicialmente pelos dois no CD O samba é minha nobreza (2002), o sucesso lapense ficou mais jocoso na segunda gravação da dupla, na faixa 9 do recém-lançado A vida me fez assim (contribui para a jocosidade o clarone de Rui Alvim).

Um calo de estimação
Zé da Zilda e Zé Thadeu

Eu tenho um calo que parece gente
Quando chega o tempo frio
Ele faz um tempo quente
Mas esse calo só falta falar
Ele adivinha até
Quando o tempo vai mudar
Já me ensinaram
Pra arrancar com alicate
Pra botar tomate
E pimenta de cheiro
Tenha paciência, Dona Margarida
Eu não sou comida
Pra levar tempeiro

– Ai, não me pise no calo...
Quanto mais eu falo
Mais você me pisa
Por causa desse calo
Estou lhe avisando
Eu acabo rasgando
A sua camisa
– Ora, deixe de bobagem
Mude de conversa
Não me rasgue a camisa
Que eu só tenho essa
Quem sofre de calo
Não enfrenta a lua
Deixa os pés em casa
Quando vai pra rua

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6.4.04




Dona Iranette

Seguindo a qualidade outros lançamentos portelenses como os CD solo de Argemiro, Jair e Casquinha, o primeiro disco de “Tia” Surica é igualmente primoroso. Os amigos não pensem que estou elogiando apenas por se tratar de um CD de samba produzido por Paulão e que tem como intérprete uma das figuras mais carismáticas da Velha Guarda da escola do meu coração.

É por isso tudo também. Mas nada disso valeria se o CD – lançado pelo selo Fina Flor – não tivesse ficado a jóia que ficou: a voz encorpada de Surica acompanhada pelos “molhos” de Paulão 7 Cordas (ô, timaço!) e a serviço de um repertório irretocável.

Basta ver o verso da caixa para identificar o nome de diversos integrantes do “time dos sonhos” da Portela: tem Manacéa (Lua cor de prata), seu irmão Aniceto (Quem me ouvir cantar), o grande Chico Santana (o partido hilário Traíra comeu parente), nosso Monarco (Ditado certo, de onde Alvaiade “tirou” a primeira de Vida de fidalga) e Jair do Cavaquinho (Você foi um atraso em meu caminho, com Picolino).

De quebra, tem um Wilson Batista inusitado (É mato, parceria improvável com Ary Monteiro) e o primeiro samba que conheci de Teresa Cristina, “defendido” por ela na quadra da Portela, numa festa da escola em 1997.

Cafofo da Surica
Teresa Cristina

David no pandeiro
Casemiro na cuíca
Olha a festa já vai começar
No Cafofo da Surica

Seu Osmar do Cavaco
Puxou um partido
Com mestre Casquinha
Que versou com Argemiro
Lembrando dos tempos
Lá da Portelinha
Velha Guarda no samba
Conduz a emoção
De quem planta a semente
Da flor da canção
A solidão
Ninguém sabe onde é que fica
Porque a festa já vai começar
No Cafofo da Surica

Um samba de Monarco
Com Doca e Eunice
Sambando no chão
É samba da Portela
Olha a Áurea chegando
E batendo com a mão
Guaracy Sete Cordas
Tem seu violão
Cabelinho no surdo
Só na marcação
E o tamborim
Seu Jair, como é que fica?
Porque a festa já vai começar
No Cafofo da Surica

Que venha logo o próximo CD da pastora e que ele traga (lá vai sugestão...) Memórias de um sargento de milícias - samba-enredo quase desconhecido de Paulinho da Viola que, puxado por Surica no desfile de 1966, deu à Portela o 18º título do carnaval carioca.

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O austríaco

Ausentes deste blógue desde os tempos do café com gravata, as dicas gastronômicas voltam à tona por ocasião do meu almoço de ontem, numa certa Deli 43 - que à primeira vista é mais um desses cubículos a quilo que o Centro tem às pencas.

Embora o tamanho não seja mesmo o forte da casa, suas iguarias fazem com que meu confete ganhe algum sentido. É que os produtos vendidos pela Deli 43 são de procedência da Pavelka - lanchonete localizada no alto da Serra de Petrópolis que disputa veranistas com a vizinha Casa do Alemão, esta mais famosa. Como as armas das duas são parecidas (destaques para os croquetes e sanduíches de lingüiça), a briga delas é por qualidade, sendo bastante difícil apontar a melhor.

Meu pai, por exemplo, prefere os amanteigados do Alemão. Já seu padrasto (o querido Roberto Vilmar, falecido marido da minha avó) era fan da Pavelka, que chamava de “o austríaco” – quando contava que comido “um sanduíche estupendo no austríaco”, já sabíamos do que estava falando.

Pois este sanduíche - o de lingüiça - e outros comestíveis “responsa” estão na tal Deli 43, que fica ali na Rua Gonçalves Dias (número 43, evidentemente), quase em frente à Confeitaria Colombo.

Juro que não recebi qualquer centavo por este pôste.

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Duelo de nanicos

Enquanto a tediosa Fórmula 1 não arruma um inimigo para Michael Schumacher, é de São Paulo que vem a maior novidade esportiva até agora neste 2004: a decisão do Estadual, entre a Associação Desportiva São Caetano e o Paulista Futebol Clube.

Se nas finais eles repetirem o futebol que eliminou a marra santista e a truculência palmeirense, a promessa é de dois jogaços no Pacaembu.

Pela camisa alvinegra, pelas bordoadas que levou do Palmeiras e pela tradição são-caetanense de vice-campeonatos, minha torcida é pelo Paulista.

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