31.8.04
Gargalhadas e perfumes
Talvez pela morbidez do trabalho sem fim ou pelos diversos “pelamordedeus” que solto todo dia, tenho andado com Nelson Cavaquinho nas idéias.
Ontem o samba que veio foi esse daí – primeira parceria dele com Guilherme de Brito, da década de 1950:
Garça
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
És uma garça vadia
Voando na orgia
Em qualquer direção
Em busca de pérolas raras
De jóias bem caras
Pra tua ambição
Fugida de um ninho pequeno
De um lago sereno
Que foi todo teu
Mergulha neste lamaçal
Procurando no mal
O que o bem não te deu
Com gargalhadas alegres e perfumes
Levas os pacatos coitados ao fim
És uma garça sem ninho
E pensas que o lodo é o teu bom caminho
(Foto: O Fuxico/www.ofuxico.com.br)
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Se macumba ganasse juego...
Secamos o quanto pudemos, mas nossos vizinhos fizeram bonito no desfecho das Olimpíadas, com preciosos ouros no futebol e no basquete – o segundo mais valioso, tendo no cartel de abates o bando norte-americano da NBA. Já o futebol, embora conquistado contra uma penca de galinhas mortas, tem grande valor simbólico: os argentinos deixam de dividir com o Brasil a pecha de únicos grandes do esporte sem o título.
E tome lenha na fogueira de nossa pinimba histórica: eles com um caneco que não temos em nossa sala de troféus, nós com o pentampeonato mundial e a bitoca de Carlito Tévez em Diego Maradona.
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Secamos o quanto pudemos, mas nossos vizinhos fizeram bonito no desfecho das Olimpíadas, com preciosos ouros no futebol e no basquete – o segundo mais valioso, tendo no cartel de abates o bando norte-americano da NBA. Já o futebol, embora conquistado contra uma penca de galinhas mortas, tem grande valor simbólico: os argentinos deixam de dividir com o Brasil a pecha de únicos grandes do esporte sem o título.
E tome lenha na fogueira de nossa pinimba histórica: eles com um caneco que não temos em nossa sala de troféus, nós com o pentampeonato mundial e a bitoca de Carlito Tévez em Diego Maradona.
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Cheia de encantos mil...
Divertidíssima a coluna No ar que Daniela Name vai tocando n’O Globo, com textos sobre o horário eleitoral como este do último sábado:
Na Cidade das Maravilhas
A literatura feita pelos políticos, vocês sabem, quase nunca é edificante. Mas ontem, durante o horário gratuito, me senti como a Alice, que segue o Coelho Branco e chega ao País das Maravilhas. O programa laranja e azul do prefeito Cesar Maia, candidato à reeleição pelo PFL, foi o meu Coelho Branco.
Com ele, cheguei à Cidade das Maravilhas: vi o Cristo Redentor, lindo de morrer, e um gringo dizendo “It's wonderful!” (“É maravilhoso!”), olhando o Rio lá de cima. Vi Cesar dizendo que o turismo cresceu e mostrando que o carnaval gera empregos e faz feliz quem quer ver a Mangueira, derradeira estação, e ouvir sua batucada, iaiá.
Luiz Paulo Conde (PMDB) também lembrou como a cidade era incrível nos seus tempos de prefeito. E Jorge Bittar (PT) prometeu que o carioca vai chegar ao céu se adotar o CEU, um Ciep vitaminado que fez sucesso na gestão petista em São Paulo.
Era tanta maravilha que cheguei a acreditar que estava vendo o sorriso do Gato. Ou tomando chá com o Chapeleiro. Mas sempre existe uma Rainha de Copas para gritar “Cortem-lhe a cabeça!”, não é? E não demoraram a aparecer imagens de violência contra camelôs e pedestres e a lembrança de que, em pleno século XXI, os cariocas morrem de medo de um mosquitinho. Que pode matar um batalhão com a dengue. Nem Lewis Carroll, o genial autor inglês que inventou o País das Maravilhas, poderia imaginar um personagem absurdo como o Aedes aegypti. Por isso fui obrigada a ouvir: "Acorda, Alice!". E sentei para começar a escrever...
(Imagem: Amitel / www.amitel.ru)
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30.8.04
Brasileiro na batata é que tem valor
Nosso vôlei masculino despachou a Itália pela sétima vez consecutiva e levamos o segundo ouro no esporte – encerrando o quadro de medalhas em 18º, à frente de Espanha, Suécia, Canadá e Áustria.
Não fosse o leprechaun que tentou levar nosso maratonista pro mato, talvez tivéssemos desbancado também as delegações holandesa e norueguesa.
A invasão de pista, aliás, foi o ponto ridículo do desfecho dos Jogos de Atenas – como puderam gastar tantos bilhões anti-Bin Laden e deixar um palhaço de saiote interferir no resultado da maratona?
Não concordo com a medalha de ouro que o COB pediu para nosso Vanderlei Lima, mas também não entendi o tal Prêmio Pierre de Coubertin que o COI resolveu ofertar ao atleta...
Cala-boca barato para aplacar a própria cagada.
(Ilustração: Merritt’s Bakery / www.merrittsbakery.com)
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Minhas impressões de Botafogo – entre o céu e o inferno
O livro de Sérgio Augusto dedicado ao Botafogo é, de longe, o melhor da coleção Camisa 13 – pelo menos em literatura vamos bem das pernas...
Tem, contudo, uma lista de poréns que, se por um lado não compromete o resultado final (leitura gostosa, cheia de boas histórias...), por outro traz alguns deslizes de informação:
I. Na página 50, há duas fotos do player Gilbert Hime; e não uma dele e outra de Nilo Murtinho Braga, como dizem os créditos.
II. Na página 27, diz o livro sobre a decisão de 1948: “Placar final: Botafogo 3 x Flamengo 1”. O correto é “Botafogo 3 x Vasco 1”.
III. Página 198: a festa de comemoração do título estadual de 1967, famosa pelo tiro de João Saldanha em Manga, não foi em General Severiano, mas no Mourisco.
IV. O time posado na foto da página 203, não é o de 1968, mas o de 1912.
V. No Brasileiro de 1992, o Botafogo não foi eliminado nas semifinais, como diz a página 220 do livro, mas foi até a decisão – vencida pelo Flamengo do vovô-garoto Júnior, com incontestáveis 3 a 0 e 2 a 2.
VI. No encarte em papel couché entre as páginas 32 e 33, o livro embarca na bobagem inventada pelo Botafogo em 1991, quando ganhou no tapetão o direito de dividir o título de 1907 com o Fluminense e resolveu alterar o hino de Lamartine Babo. A letra fazia referência à primeira conquista alvinegra (“Campeão desde 1910”) e foi atualizada pelos idiotas históricos do clube (“Campeão desde 1907”), que só se esqueceram de achar uma nova rima para “mil novecentos e sete”.
VII. A página 226 apresenta Bebeto de Freitas como um “modelo de decência, inventividade e obstinação”. Tudo isso?!!! Menos, né...?
VIII. Pior dos pecados, o livro só menciona uma vez o nome de Emil Pinheiro, meio vilanesco (em 1993), já se desfazendo dos jogadores que contratou para o clube. O autor pode até não gostar de bicheiro, mas se equivoca ao tentar ignorar sua importância para o Botafogo – o time montado por ele conquistou o bi estadual em 1989/90, acabando com um jejum que durava desde 1968.
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O livro de Sérgio Augusto dedicado ao Botafogo é, de longe, o melhor da coleção Camisa 13 – pelo menos em literatura vamos bem das pernas...
Tem, contudo, uma lista de poréns que, se por um lado não compromete o resultado final (leitura gostosa, cheia de boas histórias...), por outro traz alguns deslizes de informação:
I. Na página 50, há duas fotos do player Gilbert Hime; e não uma dele e outra de Nilo Murtinho Braga, como dizem os créditos.
II. Na página 27, diz o livro sobre a decisão de 1948: “Placar final: Botafogo 3 x Flamengo 1”. O correto é “Botafogo 3 x Vasco 1”.
III. Página 198: a festa de comemoração do título estadual de 1967, famosa pelo tiro de João Saldanha em Manga, não foi em General Severiano, mas no Mourisco.
IV. O time posado na foto da página 203, não é o de 1968, mas o de 1912.
V. No Brasileiro de 1992, o Botafogo não foi eliminado nas semifinais, como diz a página 220 do livro, mas foi até a decisão – vencida pelo Flamengo do vovô-garoto Júnior, com incontestáveis 3 a 0 e 2 a 2.
VI. No encarte em papel couché entre as páginas 32 e 33, o livro embarca na bobagem inventada pelo Botafogo em 1991, quando ganhou no tapetão o direito de dividir o título de 1907 com o Fluminense e resolveu alterar o hino de Lamartine Babo. A letra fazia referência à primeira conquista alvinegra (“Campeão desde 1910”) e foi atualizada pelos idiotas históricos do clube (“Campeão desde 1907”), que só se esqueceram de achar uma nova rima para “mil novecentos e sete”.
VII. A página 226 apresenta Bebeto de Freitas como um “modelo de decência, inventividade e obstinação”. Tudo isso?!!! Menos, né...?
VIII. Pior dos pecados, o livro só menciona uma vez o nome de Emil Pinheiro, meio vilanesco (em 1993), já se desfazendo dos jogadores que contratou para o clube. O autor pode até não gostar de bicheiro, mas se equivoca ao tentar ignorar sua importância para o Botafogo – o time montado por ele conquistou o bi estadual em 1989/90, acabando com um jejum que durava desde 1968.
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29.8.04

Vida de fidalgo
Mestre Monarco embarca hoje para Los Angeles, nos EUA, para assistir na quarta-feira à cerimônia de entrega do Grammy Latino, ao qual concorre na categoria melhor disco, por seu Uma história do samba.
Seus concorrentes: Zeca Pagodinho (Acústico MTV), Jorge Aragão (Da noite pro dia), Família Caymmi (Para Caymmi. De Nana, Dori e Danilo) e a Velha Guarda do Salgueiro (Velha Guarda do Salgueiro).
Imagens: Xtec (www.xtec.es) e Brazilian Press (www.brazilianpress.net)
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27.8.04
União da Pedra? Porto da Ilha?
O carnaval inda está bem longe, mas deu vontade de postar este samba depois que li n’algum lugar que ele será resgatado no próximo desfile da Sapucahy pela Unidos do Porto da Pedra.
Aind’assim, embora o samba de 1989 da União da Ilha só me traga boas lembranças da infância, vejo ahy um porém... Se já não me agradava a idéia da continuação de releituras de sambas antigos, pior ainda é se escola e enredo ressuscitado têm nada ou pouco a ver um com o outro. Fica com cheiro de oportunismo.
Que sirva, então, para pelo menos animar o povo...
Festa profana
Franco, J. Brito e Bujão
O rei mandô
Cair dentro da folia
Eh! Lá vou eu
O sol que brilha nessa noite vem da Ilha
Lindo sonho que é só meu
Vem, vem amor...
Na poesia vem rimar sem dor
Na fantasia vem colorir
Que a vida tem mais cor
Vem na magia
Me beija nesse mar de amor
Vem, me abraça mais
Que eu quero é mais
O seu coração
Eu vou tomar um porre de felicidade
Vou sacudir, eu vou zoar toda cidade
Ê, Boi Ápis
Lá no Egito, festa de Ísis
Ê, Deus Baco, bebe sem mágoa
Você pensa que esse vinho é água?
É primavera!
Na lei de Roma, a alegria é que impera
Oh! Que beleza!
Máscara negra lá no baile de Veneza
Oi, joga água que é de cheiro
Confete e serpentina
Lança perfume no cangote da menina
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O carnaval inda está bem longe, mas deu vontade de postar este samba depois que li n’algum lugar que ele será resgatado no próximo desfile da Sapucahy pela Unidos do Porto da Pedra.
Aind’assim, embora o samba de 1989 da União da Ilha só me traga boas lembranças da infância, vejo ahy um porém... Se já não me agradava a idéia da continuação de releituras de sambas antigos, pior ainda é se escola e enredo ressuscitado têm nada ou pouco a ver um com o outro. Fica com cheiro de oportunismo.
Que sirva, então, para pelo menos animar o povo...
Festa profana
Franco, J. Brito e Bujão
O rei mandô
Cair dentro da folia
Eh! Lá vou eu
O sol que brilha nessa noite vem da Ilha
Lindo sonho que é só meu
Vem, vem amor...
Na poesia vem rimar sem dor
Na fantasia vem colorir
Que a vida tem mais cor
Vem na magia
Me beija nesse mar de amor
Vem, me abraça mais
Que eu quero é mais
O seu coração
Eu vou tomar um porre de felicidade
Vou sacudir, eu vou zoar toda cidade
Ê, Boi Ápis
Lá no Egito, festa de Ísis
Ê, Deus Baco, bebe sem mágoa
Você pensa que esse vinho é água?
É primavera!
Na lei de Roma, a alegria é que impera
Oh! Que beleza!
Máscara negra lá no baile de Veneza
Oi, joga água que é de cheiro
Confete e serpentina
Lança perfume no cangote da menina
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Atenas no botequim
Mó rôia de poço aquele Marcelo companheiro do Tórbe...
Mó fia da puta a japa que apitou a final do futebol das muié!
Mó esquisita aquela Mari... Num grita, num vibra, nem bate na bunda das companheira...
Quero só vê aquele cavalo, se não vai empacar de novo esse ano!
(Foto: Associação Empresarial de Vila Real/www.nervir.pt)
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26.8.04
Oooolééééé... (ou De volta aos motes!)
Por ocasião de nossa terça-feira de touradas bem-sucedidas nas areias y no baloncesto, a letra de hoje é de um samba-canção (bolero!, maldirão alguns) da autoria de Wilson Batista - parceria com o fantasma Jorge de Castro.
Sua letra à moda de folhetim segue a mesma linha da "tocha humana que rola pela ribanceira" e da velha senhora que "foi a flor mais perfumada, teve a Lapa noturna a seus pés", só para citar dois de seus clássicos.
Dolores Sierra
Wilson Batista e Jorge de Castro
Dolores Sierra
Vive em Barcelona
Na beira do cais
Não tem castanholas
E faz companhia
A quem lhe der mais
Nasceu em Salamanca
Seu pai lavrador
Veio a maioridade
Como quem nasce na roça
Tem sempre a ilusão
De viver na cidade
Sua mãe chorou
No dia em que ela partiu
Pra conhecer Don Pedrito
Que prometeu e não cumpriu
Com frio e com sede
Só na sarjeta
Sorriu para um homem
E ganhou a primeira peseta
O navio apitou
Paguei a despesa
E a história se encerra
Adeus, Barcelona, adeus...
Adeus, Dolores Sierra
(Foto: Suonerie Itália / www.suonerieitalia.net)
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Muito feio
o novo busto de Getúlio Vargas, inaugurado dias desses ali na Glória, vizinhança do hotel, no espaço agora batizado Memorial Vargas.
Muito maior do que o normal dos bustos (tamanho natural, acho), o novo Vargas ficou com cara de alegoria de escola de samba, só faltando alguém pra empurrar, uns passistas pra remexer em volta e um bicheiro para ser o pai da criança.
Que falta faz uma câmera digital...
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o novo busto de Getúlio Vargas, inaugurado dias desses ali na Glória, vizinhança do hotel, no espaço agora batizado Memorial Vargas.
Muito maior do que o normal dos bustos (tamanho natural, acho), o novo Vargas ficou com cara de alegoria de escola de samba, só faltando alguém pra empurrar, uns passistas pra remexer em volta e um bicheiro para ser o pai da criança.
Que falta faz uma câmera digital...
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O contínuo e a secretária
Ela: Quer buscar uns bloquinhos lá com a menina do CLSHDUSVNACJ?
Ele (desanimado): Busco, né...?
Ela: Como assim, busco né?! Vai buscar ou não vai?!
Ele: Vou.
Ela: Então é pr’agora!
Ele: (longo suspiro)
Ela: Anda! Anda!
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Ela: Quer buscar uns bloquinhos lá com a menina do CLSHDUSVNACJ?
Ele (desanimado): Busco, né...?
Ela: Como assim, busco né?! Vai buscar ou não vai?!
Ele: Vou.
Ela: Então é pr’agora!
Ele: (longo suspiro)
Ela: Anda! Anda!
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25.8.04
Dilemma olympico
À medida que nossos athletas tropicam na lucta por medalhas, afflora com grande vigor o espírito de porco do brazileiro na reta final nos Jogos Olímpicos.
Afinal, não é todo dia que se tem Argentina à beira de um ouro no football (avante, Paraguay!) e EUA com possibilidades – ainda que pequenas – de ficar atraz dos chinezes no quadro de medalhas...
Haja maccumba!
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À medida que nossos athletas tropicam na lucta por medalhas, afflora com grande vigor o espírito de porco do brazileiro na reta final nos Jogos Olímpicos.
Afinal, não é todo dia que se tem Argentina à beira de um ouro no football (avante, Paraguay!) e EUA com possibilidades – ainda que pequenas – de ficar atraz dos chinezes no quadro de medalhas...
Haja maccumba!
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Café pequeno
Fica no Flamengo, na esquina de Paissandu com Marquês de Abrantes, a última luncheonette de nossa cidade que ainda pede R$ 1 pelo café expresso – producto que se valoriza à medida que nossos atletas vão fazendo boa figura em Athenas.
Apparentando ser mais uma casa de sucos do que qualquer outra sorte de estabelecimento, a loja da rubiácea barata chama-se Bonomia (?!!!) e é visinha ao amigo Lucas Pôrto, o Boga, que pode oppinar sobre o facto.
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Fica no Flamengo, na esquina de Paissandu com Marquês de Abrantes, a última luncheonette de nossa cidade que ainda pede R$ 1 pelo café expresso – producto que se valoriza à medida que nossos atletas vão fazendo boa figura em Athenas.
Apparentando ser mais uma casa de sucos do que qualquer outra sorte de estabelecimento, a loja da rubiácea barata chama-se Bonomia (?!!!) e é visinha ao amigo Lucas Pôrto, o Boga, que pode oppinar sobre o facto.
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O contínuo e a secretária
Secretária 1 (tom alto e ofegante): Luana Piovani perdeu o bebê! Luana Piovani perdeu o bebê!
Secretária 2: Você e essa internet...
S1 (indignada com tamanha ingratidão): ?!!!
S2: Só mesmo pra dar notícia ruim que serve essa internet...
S1: ...
S2: Um poço de desgraças!
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Secretária 1 (tom alto e ofegante): Luana Piovani perdeu o bebê! Luana Piovani perdeu o bebê!
Secretária 2: Você e essa internet...
S1 (indignada com tamanha ingratidão): ?!!!
S2: Só mesmo pra dar notícia ruim que serve essa internet...
S1: ...
S2: Um poço de desgraças!
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24.8.04
Olga
Meu registro pelo dia do cinqüentenário do suicídio de Getúlio Vargas não vem em samba nem em lembranças footballísticas d’aquella época, mas na foto do rosto que desde o último domingo não sai da minha cabeça.
(Foto: VVN BdA/www.antifa-net.de)
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Dê já-vi
A pequena Daiane nem bem aterrissou do último pulo e a turma já começou especular o motivo do desempenho sofrível: pressão do Brasil? Joelho? Pressão do Brasil sobre o joelho? Galvão pé-frio?
Perdeu, ora bolas. Perdeu porque, como ela bem disse à repórter sanguinária da Globo, todo mundo tem seu dia de ganhar e o dia de perder – máxima que só não serve pro Botafogo, claro.
Torço para que a turma não volte às reflexões pós-França 98 (aquelas que culpavam a mídia pela convulsão do Ronaldinho), que entendam que perder faz parte do jogo e que a pressão é um preço que se paga por estar nas cabeças – outra máxima que não se aplica ao Botafogo.
Preço, aliaz, que só faes valorizar figuras hegemônicas de nosso sport como aquele Michael Jordan dos velhos tempos, o Schumacher de todos os domingos e o mythico Antenor Mascavinhas - grande pattrono deste blógue.
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A pequena Daiane nem bem aterrissou do último pulo e a turma já começou especular o motivo do desempenho sofrível: pressão do Brasil? Joelho? Pressão do Brasil sobre o joelho? Galvão pé-frio?
Perdeu, ora bolas. Perdeu porque, como ela bem disse à repórter sanguinária da Globo, todo mundo tem seu dia de ganhar e o dia de perder – máxima que só não serve pro Botafogo, claro.
Torço para que a turma não volte às reflexões pós-França 98 (aquelas que culpavam a mídia pela convulsão do Ronaldinho), que entendam que perder faz parte do jogo e que a pressão é um preço que se paga por estar nas cabeças – outra máxima que não se aplica ao Botafogo.
Preço, aliaz, que só faes valorizar figuras hegemônicas de nosso sport como aquele Michael Jordan dos velhos tempos, o Schumacher de todos os domingos e o mythico Antenor Mascavinhas - grande pattrono deste blógue.
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Si por um lado perdemos na gymnástica...
Por outro passamos a três finaes nesta segunda-feira.
Que delas a gente leve pelo menos um ourinho, no vôlei de praia masculino...
Nada contra as mulheres, mas é que os retrospectos não são lá muito favoraveys: Behar e Shelda perderam todos os 3 matches que disputaram contra May/Walsh neste ano, enquanto nosso football feminino tem pela frente na decisão os EUA – espécie de Brasil do ludopédio de saias.
Mas que seria engraçado o primeiro ouro do futebol brasileiro vir de pés femininos, seria...
(ilustração: Zéro Zoo/www.zero-zoo.com)
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23.8.04
Pega ladrão!
Meteram a mão no clássico O grito, do norueguês Edvard Munch (espécie de Jules Rimet de lá), e a pergunta que não quer calar é a seguinte: onde diabos os larápios acham que vão passá-lo nos cobres?
Como diz o colunista amigo do Marceu, deve ser horrível viver num país em que as relíquias não têm segurança...
(Ilustração: The Munch Museum/ www.munch.museum.no)
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Passemos aos pinotes
Como era de se esperar, veiu do mar o primeiro ouro brasileiro em Athenas – cabe lembrar que é animmador o facto de haver longevidade no tal iatismo (vide as rugas do porta-bandeira Torbel Grael).
Que o segundo ouro venha hoje, nas cabriolas de Daiane dos Santos.
(Foto: Xunta de Galicia / http://centros.edu.xunta.es)
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Fahrenheit 9/11
Gostei...
1) das visões de guerra dos imberbes soldados americanos no Iraque;
2) do Bush pré-11/9, quazi um Bush lado B;
3) de ver que – como aqui – o alistamento militar é o caminho que sobra para os jovens sem perspectiva de universidade;
4) dos productos anti-terroristas apresentados como resultados do clima de pânico que instala nos EUA após o 11 de setembro de 2001 – boas idéias para as Organizações Tabajara;
4) de ficar claro desde o início de que se trata de um filme parcial, sem equilíbrio, praticamente um horário eleitoral gratuito de John Kerry.
Não gostei...
1) do mau gosto de mostrar crianças aos pedaços, mutilados jurando amor aos Democratas e aquela família choramingando a perda do filho;
2) do casamento que pieguice e manicheismo fazem no modo Moore de fazer cinema;
3) de não sentir firmeza na credibilidade dos dados e entrevistados apresentados – o que será verdade, o que será arrumado?
4) de me lembrar que esse filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
5) Para o tal horário eleitoral ser completo, o ideal seria ter também um filminho anti-Kerry – ou anti-Clinton, ou anti-Moore...
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Gostei...
1) das visões de guerra dos imberbes soldados americanos no Iraque;
2) do Bush pré-11/9, quazi um Bush lado B;
3) de ver que – como aqui – o alistamento militar é o caminho que sobra para os jovens sem perspectiva de universidade;
4) dos productos anti-terroristas apresentados como resultados do clima de pânico que instala nos EUA após o 11 de setembro de 2001 – boas idéias para as Organizações Tabajara;
4) de ficar claro desde o início de que se trata de um filme parcial, sem equilíbrio, praticamente um horário eleitoral gratuito de John Kerry.
Não gostei...
1) do mau gosto de mostrar crianças aos pedaços, mutilados jurando amor aos Democratas e aquela família choramingando a perda do filho;
2) do casamento que pieguice e manicheismo fazem no modo Moore de fazer cinema;
3) de não sentir firmeza na credibilidade dos dados e entrevistados apresentados – o que será verdade, o que será arrumado?
4) de me lembrar que esse filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes.
5) Para o tal horário eleitoral ser completo, o ideal seria ter também um filminho anti-Kerry – ou anti-Clinton, ou anti-Moore...
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19.8.04
Araca 90
Minha preferida do repertório de Aracy de Almeida, que hoje faria seus 90...
Quando tu passas por mim
Vinícius de Moraes e Antonio Maria
Quando tu passas por mim
Por mim passam saudades cruéis
Passam saudades de um tempo
Em que a vida eu vivia a teus pés
Quando tu passas por mim
Passam coisas que eu quero esquecer
Beijos de amor infiel
Juras que fazem sofrer
Quando tu passas por mim
Passa o tempo e me leva pra trás
Leva-me a um tempo sem fim
Ao amor onde o amor foi demais
Eu que só fiz te adorar
E de tanto te amar
Penei mágoas sem fim
Hoje nem olho pra trás
Quando passas por mim
|
Minha preferida do repertório de Aracy de Almeida, que hoje faria seus 90...
Quando tu passas por mim
Vinícius de Moraes e Antonio Maria
Quando tu passas por mim
Por mim passam saudades cruéis
Passam saudades de um tempo
Em que a vida eu vivia a teus pés
Quando tu passas por mim
Passam coisas que eu quero esquecer
Beijos de amor infiel
Juras que fazem sofrer
Quando tu passas por mim
Passa o tempo e me leva pra trás
Leva-me a um tempo sem fim
Ao amor onde o amor foi demais
Eu que só fiz te adorar
E de tanto te amar
Penei mágoas sem fim
Hoje nem olho pra trás
Quando passas por mim
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Samba-ópio
Gravado originalmente por Carmen Miranda (1937) e mais recentemente por Marcos Sacramento (2004), o meta-samba ufanista que posto a seguir costuma deixar inebriado o figuraça que tenho como colega de labuta.
Pesquisador sessentão de cara amarrada (apesar do impagável senso de humor), ele se transtorna sempre que fala na gravação original do Imperador do samba, em especial nos “desenhos melódicos” de Benedito Lacerda – os olhos se enchem d’água e o camarada fica com cara de quem viu a Virgem Maria.
Pois vamos à letra de Waldemar Silva, tirada do CD da Revivendo que me foi emprestada pelo tal colega de labuta, o amigo Flávio Silva:
Imperador do samba
Waldemar Silva
Silêncio, façam alas
Ordem, respeito
E nem um grito de bamba
Quero os tamborins de grande gala
Que vai passar
O imperador do samba
A imperatriz marcha também
Na frente de um garboso batalhão
E vem a princesa rumba
Pra ver sua majestade
Também vem a macumba
(Por isso eu peço muito...)
Silêncio, façam alas...
Com o tango e a valsa vem também
Entoando um hino de louvor
Vêm a embolada e a toada
E vem o blue americano
Pra saudar o imperador
(Por isso eu peço muito...)
(Ilustração: Sacred Narghile/www.sacrednarghile.com)
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O effeito Bonamigo
Que mística que nada... O eleven alvinegro precisou foi jogar o fino para abater o leader Santos em nossa arapuca, digo, alçapão de Caio Martins.
Brilhou a estrela do novo técnico Bonamigo, que escalou os autores dos tentos botafoguenses na victória por 2 a 0 (João Carlos + Jorginho Paulista) e foe decisivo para nossa quasi-sahida da zona do rebotalho.
Que venha, então, o Galo Mineiro!
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Que mística que nada... O eleven alvinegro precisou foi jogar o fino para abater o leader Santos em nossa arapuca, digo, alçapão de Caio Martins.
Brilhou a estrela do novo técnico Bonamigo, que escalou os autores dos tentos botafoguenses na victória por 2 a 0 (João Carlos + Jorginho Paulista) e foe decisivo para nossa quasi-sahida da zona do rebotalho.
Que venha, então, o Galo Mineiro!
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O contínuo e a secretária
Ela: Ele não larga o telefone...
Vizinha de mesa: Deve estar negociando ações na bolsa, comprando terrenos, discutindo filosofia...
Ela: Tá nada! Deve estar é falando com o agiota. Olha só a cara dele!
Vizinha: Eu tava de brincadeira. Tava sendo irônica, sua boba!
Ela: Ah...
(Conversa encerrada, telefone desligado)
Ele: Minha mulher tá doente. Acho que vou ter que sair mais cedo.
Ela: Tá nada... Sua mulher É doente. Do-en-tê!
Ele: ...
Ela: Só assim pra casar contigo.
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Ela: Ele não larga o telefone...
Vizinha de mesa: Deve estar negociando ações na bolsa, comprando terrenos, discutindo filosofia...
Ela: Tá nada! Deve estar é falando com o agiota. Olha só a cara dele!
Vizinha: Eu tava de brincadeira. Tava sendo irônica, sua boba!
Ela: Ah...
(Conversa encerrada, telefone desligado)
Ele: Minha mulher tá doente. Acho que vou ter que sair mais cedo.
Ela: Tá nada... Sua mulher É doente. Do-en-tê!
Ele: ...
Ela: Só assim pra casar contigo.
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16.8.04
Seu Alfredo
Foto boa não precisa de gancho para ilustrar este blógue, mas essa tem motivo: a canseira que tem me dado o projeto batizado com o nome do moço de pé (o da cigarrilha na mão esquerda, que não é o João da Baiana).
Que esta semana tenha um pouco mais da serenidade que se tornou característica de seu semblante.
(Photo: Enxurrada / www.enxurrada.com.br)
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Decifrando Paulamaya
Dilermando Pinheiro era o mestre de Zé Cruz e só por isso já mereceria o meu respeito. Tendo sido o cantor e ritmista que foi, então, merece muito mais que isso – quem já ouviu o CD Telecoteco Opus Nº 1, dele com Cyro Monteiro, sabe do que estou falando.
Aind’assim, não gosto do único disco solo que tenho dele, Batuque na palhinha, lançado ano passado na série Odeon 100 anos. O motivo: o tecladinho infernal, insuportável, artificial e horroroso que importuna o ouvinte em todas as faixas como um zumbido de besouro.
Nada disso, contudo, me impede de postar um dos bons sambas do disco – inda mais sendo sua letra a provável explicação pro apelido pelo qual nossa Paulamaya se refere à gloriosa Acari, onde passou seus tempos de meninice.
Gebe-gebe
E. Celestino e Jorge Gonçalves
Comprei um terreno
Em Gebe-gebe
Sou proprietário
Construí meu barraco
De sapê e assopapo
Não gastei meu salário
(Breque: Não sou otário)
Vou levar os meninos
Os cacarecos de caixote
Tipo mal-acabado
Vamos, crioula, vamos
Viver mais tranqüilizados
E muito embora eu sofra nessas condições
Levantando às três
Mas estarei desabafado
Pro aluguel no fim do mês
(Breque: Com o português)
Só vou ver os meninos
Aos domingos
Mas eu sei que estarão em paz
Se duvidar, eu acabo
Com a barafunda
No terreiro de macumba
E não trabalho mais
(Breque: E nunca mais eu vou deixar meu santo em paz)
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Dilermando Pinheiro era o mestre de Zé Cruz e só por isso já mereceria o meu respeito. Tendo sido o cantor e ritmista que foi, então, merece muito mais que isso – quem já ouviu o CD Telecoteco Opus Nº 1, dele com Cyro Monteiro, sabe do que estou falando.
Aind’assim, não gosto do único disco solo que tenho dele, Batuque na palhinha, lançado ano passado na série Odeon 100 anos. O motivo: o tecladinho infernal, insuportável, artificial e horroroso que importuna o ouvinte em todas as faixas como um zumbido de besouro.
Nada disso, contudo, me impede de postar um dos bons sambas do disco – inda mais sendo sua letra a provável explicação pro apelido pelo qual nossa Paulamaya se refere à gloriosa Acari, onde passou seus tempos de meninice.
Gebe-gebe
E. Celestino e Jorge Gonçalves
Comprei um terreno
Em Gebe-gebe
Sou proprietário
Construí meu barraco
De sapê e assopapo
Não gastei meu salário
(Breque: Não sou otário)
Vou levar os meninos
Os cacarecos de caixote
Tipo mal-acabado
Vamos, crioula, vamos
Viver mais tranqüilizados
E muito embora eu sofra nessas condições
Levantando às três
Mas estarei desabafado
Pro aluguel no fim do mês
(Breque: Com o português)
Só vou ver os meninos
Aos domingos
Mas eu sei que estarão em paz
Se duvidar, eu acabo
Com a barafunda
No terreiro de macumba
E não trabalho mais
(Breque: E nunca mais eu vou deixar meu santo em paz)
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Duelo zoológico em Atenas
O Dream Team do basquete levou fumo de Porto Rico, o pule-de-dez Michael Phelps não conseguiu evitar que a equipe americana ficasse em terceiro no revezamento da natação e os EUA terminaram o domingo na 7ª colocação (!!!) no quadro de medalhas.
Qual será, portanto, o chavão zoológico mais apropriado para o mico do Tio Sam: “A zebra está solta em Atenas” ou “o primeiro milho é dos pintos”?!
Fotos: Mesto Kosice (www.kosice.sk) e Avemail (alxs.sites.uol.com.br)
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13.8.04
Clípin' do centenário
O Glorioso esteve longe de sobrar no dia de seu centenário (1 a 1 com o Atlético Paranaense), mas cumprimos nossa tarefa: ouvimos a pelada sob chuva, pedimos bênção ao busto de Dona Chiquitota e imaginamos os gurys a planejar o team entre as palmeiras do Largo dos Leões.
Approveito a sensação de tarefa cumprida para offerecer aos amigos um breve clipping de hontem, com os noticiários de O Globo (Botafogo 100 anos) e O Dia (O time de todos os tempos).
E voltemos ao presente, ainda que ele seja menos divertido que essa conversa de centenário.
PS: Agredecemos pelas pilhas incontáveis de elogios ao traje alvinegro de nosso blógue no dia de ontem, mas tivemos de voltar ao laranja véio de guerra - se ao menos ele tivesse dado sorte...
(Iustração: Just Giving / www.justgiving.com)
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Já que o dia tem que ser soturno
Que seja de Nelson Cavaquinho o samba do dia...
Depois da vida
Passei a mocidade
Esperando dar-te um beijo
Eu sei que agora é tarde
Mas matei o meu desejo
É pena que os lábios
Gelados como os teus
Não sintam o calor
Que eu conservei
Nos lábios teus
No teu funeral
Estás tão fria assim
Ai de mim
E dos beijos meus
Eu te esperei
Minha querida
Mas só te beijei
Depois da vida
(Imagem: Holdt / www.fissefissefezfez.dk)
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Faits divers
Qual a notícia mais estranha do noticiário de ontem?
Conde recebe apoio de obesos ou Governador de Nova Jersey renuncia: ‘Sou um americano gay’?
Cartas para a redação...
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Qual a notícia mais estranha do noticiário de ontem?
Conde recebe apoio de obesos ou Governador de Nova Jersey renuncia: ‘Sou um americano gay’?
Cartas para a redação...
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12.8.04
100!
Que me perdoem o patrono banguense deste blógue e os preocupados com a pindahyba alvinegra, mas hoje é dia de colocar as miudezas de lado e festejar nossa História (com agá maiúsculo).
Quem for companheiro de karma que trate ler os pôstes de hoje – ou pelo menos imprimir/copiar para ler mais tarde. Quem não for, que deixe vivas ao nosso centenário e torça para uma vitoriazinha hoje à noite que nos tire, enfim, da zona de rebaixamento.
E passemos, então, aos tijolaços...
I. O centenário em factos
Abrimos os festejos com este verbetão d’O Globo Online escrito pelo amigo Daniel Dutra – jornalista botafoguense com toda sorte de tiques alvinegros: falta de prumo, indignação, fé no impossível, essas coisas.
II. O centenário em poesia
Em seguida, ficamos com um poema de Otávio de Moraes (artilheiro de 1948, arquiteto, letrista) publicado no JB de 26 de junho de 1988 - época de jejum e abandono em General Severiano...
A REINVENÇÃO DO BOTAFOGO
Na Avenida Wenceslau Braz, esquina de Lauro Sodré,
Há uma casa antiga, mas amiga de lúcida memória,
Que insiste em permanecer, como se sobrevivesse.
Anciã e sozinha de ajuda, sem número e sem luz própria,
A casa é tal qual estrela, dessas que são solitárias
E vão se extinguindo longe, muito longe e lentamente.
Às vezes parece gente, decadente. Mas contente.
Feliz, como uma velha bailarina aplaudida de repente.
Com altivez, sim senhora, e até com certo bom senso.
(Ora, direis, ouvir estrelas... coisas de botafoguenses).
Onde se sustentam esses ossos velhos, inconformados,
De tijolo e de cimento, argamassados?
Onde se acende o brilho que ainda brilha,
Em raros, quase momentos,
Nas órbitas vazias dos olhos que eram janelas,
Cegas, pobres, desaparecidas?
Só alguns desvendam fundo esse álbum de família,
Essa vontade desumana de viver das nossas alvenarias,
O desenhado de ternura, do projeto da nossa vã arquitetura,
E esse imortal soluço que rebenta.
Que rebenta das nossas páginas.
Aí passam, frente a nós diariamente, transeuntes tão indiferentes.
Incapazes de reconhecer a glória na coisa arruinada,
Não sabem que é placenta, de preto e de branco ensangüentada.
Nos fere, ferida aberta. Nos dói, solidão fechada,
De preto e branco, enlutada.
Nos fins das tardes quentes de qualquer verão
(Dá um plano americano, vozes no fundo, capela, cantando.
Botafogo, Botafogo, campeão... muito longe e bem piano).
Só nós compreendemos essa casa, essa causa, esse dano.
Na varanda da frente, toda a nossa gente está sentada,
Descansada. Nas cadeiras de vime, como antigamente.
Não são fantasmas desses comuns, impenitentes
Nem estão vestidos em fúnebres sobrecasacas.
Só nós os vemos vivos e lindos, muito mais que findos,
Em seus ternos SS 120 de linho branco, elegantes.
(Mil novecentos e oitenta e sete, fusão da imagem,
Passa para a mesma vara no ano quarenta e sete.)
Oi, Dr. Paulo Azeredo, Oi Flávio Ramos Trindade,
Nelson Cintra, Sérgio Darcy, oi Ney Cidade,
Dr. Ibsen de Rossi, oi Dr. Rivadávia, oi Dr. Jair Tovar,
Oi Lulu Aranha, oi Carlos Martins da Rocha, ah! Seu Carlito,
Oi Adhemar Bebiano, Seu Júlio, oi Estelita,
Dr. Alceu, oi Julinho, Arrepiado, Otacílio,
Oi Augusto Frederico Schmidt, oi Nilo Murtinho Braga,
oi Chico Barbastefano, oi General Saddock de Sá, oi Bibi, oi Mimi
Castro, oi Vítor, Moysés,
Oi Graham Bell, oi Nariz Álvaro Lopes Cançado,
Oi Álvaro Marieta, Pascoal Boneca, oi Perácio Zé,
Oi Martim Silveira, Canalli, oi Heleno de Freitas,
Oi Tim Elba de Pádua Lima, oi Aluísio, oi Rubinho,
Oi Geninho Efigênio de Freitas Bahiense, oi Lugano,
Oi Zezinho, oi Ary Fanho, oi Gussi, oi Biné, oi Tréca,
Oi Sherife Nilo Raposo, oi Mané Garrincha, oi Lobato,
Oi Paulo Valentim, oi Valtencir, Guilherme Bode,
Oi Doroteu, oi Patesko,
Oi Deus!
São só nomes, são só homens. Somos homens,
Que sofremos, que estamos e estivemos lá.
E entre os mortos e os feridos, entre os novos e os antigos,
Aturdidos perguntamos: o que nos restará?
Ah! Botafogo, meu Botafogo, igualzinho ao meu Brasil.
(Recebe o afeto que se encerra em vosso peito varonil.
E quem não gostar do Botafogo...)
Brasil-Botafogo de Futebol e Regatas
Que não atas nem desatas,
Onde está teu futebol, onde estão tuas regatas?
Se há vendilhões no templo, regateias, não resgatas.
Se há fáceis benemerências, condecoras os piratas.
Te falta amor, Botafogo, sobram as receitas baratas.
De milhares de emoções, fizestes massa falida.
Nossa herança merecida, puseste a fundo, perdida.
E é isso que nos mata; concordar com a concordata.
Mas, um dia desses, num rio que passou em nossas vidas,
com certeza num Rio de Janeiro, às margens plácidas,
Quem sabe num morro do Cão, hoje no chão,
Ou noutra rua Conde de Irajá, ao largo do Humaitá,
Novos moços amigos lembrarão moços antigos,
Por nomes Pedros, ou Mem, outros Estácios,
Alguns chamados Flávios, ou Carlos, eu sei lá,
Das famílias Azeredo, Meyer, Bebiano, Palmeiro,
Que tal Rocha, Aranha, Sodré, Tovar, não serve Sá?
E eles vão te fundar outra vez, Botafogo...
Te invenitar outra vez, no bairro que ainda está.
E a mesma velha emoção voltará, bem requentada,
O mesmo preto preto e o mesmo branco branco
A mesma estrela solitária, dessa vez mais solidária,
Pra variar.
E fazendo música e jogando bola,
E fazendo música e jogando bola,
Para que a poesia, nossa particular poesia,
Torne à sua origem.
Vê se não morre Botafogo!
Pelo menos antes de nós.
Nós os herdeiros, postos a ferro, marinheiros,
Nas galés das galerias, da nossa máxima galera!
Ai! Ninguém vai comparecer ao formidável enterro,
Da nossa última, última quimera.
III. O centenário em blógue
Não poderia faltar o link pro Vestiário Alvinegro – blógue de cabeceira do amigo Paulo Aragão, sempre em cima do lance, com nohtas e photos enviadas de General Severiano.
IV. O centenário em história
E, por fim, encerro os trabalhos com este precioso relato (tijolaço!) de Mário Filho sobre os primeiros dias do Botafogo - publicado na edição de setembro de 1946 do Boletim do Botafogo F.R.:
1 — Flávio Ramos entregou a Álvaro Werneck uma folha de papel almaço. Em cima estava escrito: “Subscrição para a compra de uma bola número cinco”. E, logo na primeira linha, D. Chiquitota rabiscara o nome comprido: Dona Francisca (o “dona” era para impor respeito aos garotos) Teixeira de Oliveira. Cinco mil réis. “Eu — disse D. Chiquitota a Flávio Ramos — abro a subscrição com cinco mil réis para dar o exemplo. Assim, “os outros não poderão assinar menos”. A folha de papel andou de mão em mão. Octávio Werneck escreveu: pelo barão de Werneck, cinco mil réis. Octávio Werneck, três mil réis. Emanuel Sodré também trazia cinco mil réis em nome do velho Lauro Sodré. Álvaro Sodré fez a coleta. E Flávio Ramos — ele subscrevera três mil réis, como os outros — perguntou: “Chega?” Álvaro Werneck começou a somar em voz baixa: cinco mais cinco, dez, mais cinco, quinze, mais três, dezoito, mais três... E, terminando de fazer a conta, sorriu, triunfante: “Chega e sobra!” Foram separados vinte e cinco mil réis para a compra da bola. “O resto ficará guardado nos cofres do clube” — disse Álvaro Werneck, sério. Corando, logo depois. A frase feita saíra sem querer. Inventando um cofre para o Electro. “Então, meus senhores — Flávio Ramos cortou o embaraço de Álvaro Werneck —, vamos todos, incorporados, à Casa Clark”. E lá se foram êles comprar a tão falada bola número cinco. De couro legítimo. E que se enchia com bomba de bicicleta.
2 — Antes de dobrarem a esquina de Ouvidor, Flávio Ramos, Emanuel Sodré, Jacques Raymundo, Álvaro Werneck, Octávio Werneck, Lauro Sodré, Vicente Fontenele, o Zingo, e Lourival Costa pararam em frente à Casa Colombo. “Aqui — explicou Octávio Werneck — se vende também material de football”. “Então vamos entrar” — decidiu-se Flávio Ramos. “Não — e aí falou Álvaro Werneck, metendo a mão no bolso, para ver, mais uma vez, se as pratas estavam lá dentro. Estavam — Não. A Casa Colombo vende mais caro que a Casa Clark”. E eles seguiram. Pouco depois, invadiram a Casa Clark. Flávio Ramos curvou-se sobre o balcão. “Queremos ver uma bola número cinco. De pneu”. E lá veio a bola. Murcha. Desamarrada. O vermelho da câmara de ar apareceu. Despindo a bola. “Os senhores querem levá-la cheia?” A bola vazia passou de mão em mão. “Sim. É melhor enchê-la”. E, na frente dos fundadores do Electro Clube, o empregado da Casa Clark encheu a bola. Ensinando como se devia fazer. A operação mais complicada era “atacar” a bola, enfiando a tripa de couro com o auxílio do atacador. O último pedaço da tripa tinha que ficar escondido. “Pega-se o atacador e empurra-se. Com jeito”. A bola estava cheia. “Não precisa embrulhar”. Flávio Ramos, impaciente, agarrou a número cinco com a mão. Apertando-a de leve. Como se entendesse de bola cheia. “Agora, eu” — disse Octávio Werneck. E a bola passou de mão em mão. Cada um queria tirar o sêlo.
3 — Emanuel Sodré achava tudo muito bem. “Eu só não gosto de uma coisa — explicou êle a Flávio Ramos — o nome”. E Flávio Ramos confessou, “para ser franco”, que também não gostava. “O nome pode ser moderno, pode cheirar a civilização, como disse Alfredo Chaves. Mas não me entra. D. Chiquitota...” Dona Chiquitota, tôda vez que ia assinar uma subscrição, perguntava se o nome do clube não tinha mudado ainda. “Não? E vocês têm um nome tão bonito bem à mão! Se vocês me ouvissem, o clube se chamaria Botafogo. Como o bairro”. Flávio Ramos, então, vinha com a história do talão de recibos. Sim, se o clube mudasse de nome, que se faria do talão de recibos? “E você sabe — e Flávio Ramos olhava para Emanuel Sodré com um ar desconsolado — Você sabe, a vida do Electro não é sopa. Só de vidraças partidas, quanto a gente tem que pagar por mês?” Emanuel Sodré riu. Como não havia de rir? Dina Tita apareceu na janela chamando os filhos — os Figueiredo — gritando “um dia vocês me matam!” Parecia de propósito. As bolas quebravam mais vidraças dos Figueiredo do que de outro qualquer. Também, os Figueiredo tinham duas casas. Era lá que o campo acabava. “E que diabo! — Flávio Ramos fez um gesto largo, envolvente, como se quisesse reunir idéias — o talão de recibos não há de durar para sempre!” Emanuel Sodré concordou. “Pois bem. Quando acabar o talão de recibos, o Electro passará a chamar-se Botafogo”.
4 — Mimi Sodré, de calças curtas, um tico de gente, procurou Flávio Ramos. E, com as duas mãos enfiadas nos bolsos das calças, balançando-se quase nas pontas dos pés, para crescer um pouco, disse que também queria ser sócio. Flávio Ramos — êle era mais velho três anos do que Mimi — coçou o queixo e tentou explicar que não havia lugar, no Electro, para meninos “Se eu sou menino — respondeu Mimi Sodré — você também é. Eu já completei os doze anos!” “Escute, Mimi: o Electro precisa de gente mais velha. Senão acaba”. “Eu pagarei os três mil réis por mês. Como os outros”. “Não se trata dos três mil réis. Se você entrar, tudo que for garoto quererá entrar também”. “Ora, Flávio — Mimi Sodré, de propósito, chamou Flávio Ramos de Flávio, para mostrar que não havia diferença entre êles — Ora, Flávio, quanto mais sócios o Electro tiver, melhor”. “Sócios grandes, Mimi”. “Quer dizer que você não me aceita?” “Não”. “Então...” E Mimi disse uma coisa feia. Deu as costas. E saiu batendo o pé. Para fazer queixa a Emanuel Sodré.
5 — Emanuel Sodré veio falar com Flávio Ramos. “Que houve com Mimi?” “Nada. Ele queria ser sócio do Electro. O Electro não é clube de meninos”. “Que mal faria se Mimi fosse sócio, Flávio? Ele pagará. Seria mais um”. “Mimi é deste tamaninho, Emanuel”. “Ora, Flávio, você precisa acabar com isso de menino para cá e menino para lá. Afinal de contas, nós deixamos de ser meninos outro dia. Você tem quinze anos...” Flávio Ramos ficou vermelho. Resmungando que ia fazer dezesseis. “Eu também chegarei lá, Flávio. A verdade é que você tem quinze anos e é o presidente do clube”. “E você pensa que eu estou satisfeito com isso? Eu acho até que a gente tem de procurar outro presidente. Um homem”. Aí chegou a vez de Emanuel Sodré não gostar. “E por acaso — êle perguntou — não somos homens?” O tom era de desafio. E Flávio Ramos concordou que eles eram homens. “Quer dizer, somos e não somos”. E, dizendo isso, Flávio Ramos olhou para as calças compridas de Emanuel Sodré . O pé direito de Flávio Ramos avançou um pouco. Exibindo a calça comprida, o sapato de bico fino. “E Mimi? Entra ou não entra?” — perguntou Emanuel Sodré. “Não? Pois então passe bem!” Flávio Ramos percebeu que Emanuel Sodré estava zangado. “Ele deixará de bater bola alguns dias. Depois voltará”.
6 — Sim. Mimi enganara-se pensando que Antônio Barroso era sócio do Electro. Antônio Barroso tinha a idade dêle: doze anos. E só andava em companhia de uma governanta. Havia um motivo sério — muito sério mesmo — para que Antônio Barroso jogasse do lado dos grandes. Um belo dia, o Barrosinho abriu o portão da casa dêle — uma que ficava entre a de Alfredo Figueiredo e a de Moniz Freire — e exibiu aos olhos dos jogadores do Electro uma bola de pneu. Começando a passear com ela de um lado para o outro. A bola disponível do clube ficara debaixo do bonde. De nada tinham adiantado os gritos de um “chuta!” Os burros, ao invés de meterem a pata na bola, deram um salto. A número cinco desapareceu debaixo do bonde. E, quando o reboque desapareceu, dela só restava um couro partido ao meio. Paula e Silva — um garoto danado para quebrar as vidraças da casa dos Figueiredo — foi falar com o Barrosinho. “Empreste a bola, menino. E você pode ficar assistindo”. O Barrosinho segurou mais fortemente a bola de pneu — êle tivera que chorar, “todos os meninos agora têm uma”, para que o velho Barrosos se decidisse a dar um salto à Casa Clark — e impôs condições. “Eu empresto a bola se jogar também”. “Então — decidiu Octávio Werneck, o “captain” — vá para a extrema esquerda”.
7 — A governanta, uma francesa rabujenta, ficava assistindo, na calçada. Sem achar graça nenhuma naquele tal do football. “Antônio — gritava ela , com voz nasal — vamos embora. Está ficando tarde”. “Só mais um pouqinho”. E lá saía ele correndo para a extrema esquerda, sem quase pegar na bola. Quando conseguia dar um chute, o Barrosinho experimentava um orgulho pecaminoso. Se a bola batia, de tabela, em uma palmeira, e vinha de novo aos pés dêle, a alegria de Barrosinho não conhecia limites. A governanta repetia, o chamado: “Está ficando tarde, menino. Vamos embora”. E, finalmente, o Barrosinho agarrava a bola com as mãos, botava-a debaixo do braço, desculpando-se com um “por hoje basta”. Todo mundo saía atrás dele, pedindo: “Fique. Fique”. O Barrosinho apontava para a governanta. “A “instistrutice” ficará zangada”. “Mande a “instistrugicia” — os jogadores do Electro corromperam o nome da “instistrutice” para “instrugicia” , o Barrosinho achando uma bruta graça na brincadeira — mande a “instistrutice” para o inferno!” “Se eu mandar a “instistrutice” para o inferno, ela fará queixa à mamãe e eu ficarei de castigo”. “Então deixe a bola”. Barrosinho não deixava. Sem bola, ele ficaria “menino” outra vez. A bola era uma certidão de idade falsificada que ele tinha.
8 — E, tôdas as tardes, aparecia lá no largo dos Leões um garoto montado a cavalo. O poney vinha, toque, toque, puxado por um preto. Chegando no largo dos Leões, garoto descia. E, sorrateiramente, procurava colocar-se atrás de uma palmeira que servia de baliza. Quando havia goal ou corner ou bola fóra, o Paulinho corria para apanhá-la. E, envergonhado, segurando-a com as duas mãos, perguntava: “Quem quer a bola?” O keeper fazia sinal. E o Paulinho dava um chute. A bola subia uns três metros — “eu estou ficando com um chute forte”, pensava ele — e caía nas mãos do keeper. “Obrigado!” Paulinho ficava esperando, encostado à grade do portão da casa desabitada do Conselheiro Gonzaga. (...) Não demorava muito e vinha outra bola. Até que o empregado dos Azeredo trazia o poney de novo. “Está na hora”. E o cavalo, toque, toque, levava, rua São Clemente abaixo, o primeiro gandula do Electro. Ele era Paulinho Azeredo.
9 — O Electro tinha um mês de vida. E não andava para a frente nem para trás. “Se a gente não tomar cuidado — disse Octávio Werneck — o clube morre”. Flávio Ramos repetiu o que dissera a Emanuel Sodré: “O que o Electro precisa é de um presidente homem. Para dar-se ao respeito”. “Então vamos convidar o Guedes de Melo”. Alfredo Guedes de Melo estava terminando o curso do Colégio Abílio e andava pela casa dos vinte e dois para vinte e três anos. E se assentou também que se deveria chamar Mário de Figueiredo para secretário. “Alfredo Chaves — explicou Flávio Ramos —tem prática de tesoureiro. Ele foi o tesoureiro do outro Electro”. Sim. Valia a pena convidar Alfredo Chaves para tesoureiro. Ainda mais porque se iria mudar o nome do clube. Ora, Alfredo Chaves sugeriu Electro para o aproveitamento do talão de recibos e, vendo o Electro deixar de ser Electro... “Além disso, ele impõe respeito”. “Você continuará como diretor de esportes” — explicou Flávio Ramos a Octávio Werneck. “E você?” “Eu? Eu continuarei enchendo bola, tomando conta da casa velha. Fazendo tudo o que for necessário”.
10 — E, na tarde de 18 de setembro, o “puxado” para empregados, em cima do tanque de lavar roupa da casa do conselheiro Gonzaga, encheu-se de gente. Alfredo Guedes de Melo compareceu. E também Mário de Figueiredo, Alfredo Chaves, Itamar Tavares (Itamar Tavares estivera na Itália e sabia tudo a respeito do football), Viveiros de Castro, João Modesto Leal, Ademar Delamare, Ricardo Rego, Basílio Viana, Victor Faria, Paula e Silva, os Sodré, os Werneck, os Figueiredo, os Fontenele, Flávio Ramos, Jacques Raymundo, Lourival Costa, Miguel Rafael de Pino, Joe Caron, Octávio Preira da Silva, Álvaro Soares e Carlos Bittencourt, o campeão d’Almada. Alfredo Guedes de Melo sorriu, vendo as paredes cobertas pelos cartazes da montanha russa. As cadeiras de palhinha não chegavam. Quase todo mundo ficou de pé. E Flávio Ramos, abrindo a sessão, comunicou que os sócios do Electro estavam reunidos em assembléia geral para mudarem o nome do clube, que passaria a chamar-se Botafogo, tal como o bairro, e para eleger uma nova diretoria. Ele não disse, mas pensou, completando a frase: “De homens”.
11 — D. Chiquitota abriu, com mais prazer que nunca, uma nova subscrição. “Agora sim. Botafogo é nome de clube. Você bem sabia — ela parou um momento, antes de desenhar o cifrão dos cinco mil réis, e suspendeu o olhar meigo — você bem sabia, Flávio, que eu nunca suportei o nome do Electro, apesar de tudo o que você dizia a respeito de civilização e de século vinte”. D. Chiquitota levantou-se. Abriu a gaveta da cômoda. E, quando voltou, trazia uma cédula. “Não há um jeito de as bolas durarem mais um pouco, Flávio?” “A culpa não é da gente, vovó. É dos malditos bondes de burro”. “Tome a benção e vá-se embora”. “Eu tenho uma coisa bonita para te mostrar, vovó”. E Flávio Ramos desdobrou uma cartolina. “Que é isto?” Era o escudo do Botafogo. Desenhado com todo o carinho. A nanquim, preto e branco. “Não é lindo?” “É. E quem fez?” “Foi Basílio Viana”.
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11.8.04
Aos sports!
Embora a abertura esteja marcada para sexta-feira, começam hoje as competições dos Jogos de Athenas.
Catei por onde pude alguma imagem do Pateta enrolado nas argolas (daquele desenho em que ele, guiado por um narrador, passa o tempo todo fazendo fiasco nas mais diversas atividades sportivas), mas não obtive sucesso.
O cartaz da versão francesa fica, portanto, como um consolo.
(Ilustração: Kino Zuhause / www.super-8-hobby.de)
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No Aterro
Já que o team não vae bem, esquentamos com um texto os tamborins pro centenário alvinegro, a ser comemorado amanhã, quando este blógue terá edição especial...
A alegria de um coroa
Armando Nogueira
Jornal do Brasil, maio de 1995
Acordou bem cedinho. Estava louco para rever sua cidade. Abriu a janela do apartamento e deu de cara com uma colossal manhã de sol, dessas que só mesmo o Rio de Janeiro é capaz de aprontar em pleno inverno. Pois a história que a gora te conto, leitor, passou-se no mês de agosto.
Para não perder tempo, que as férias eram brevíssimas, o nosso amigo tomou uma xicrinha de café preto, enfiou no bolso uma pêra, pra mais tarde, e saiu pelo Aterro do Flamengo, feliz da vida, de bermuda e tênis Conga.
Caminhava e distribuía seu contentamento entre as árvores do Aterro, boas amigas que ele já não via há dez anos, quando deixou o Rio para ir cuidar de uma fazendola no interior de Minas.
Pelas tantas, quis tomar sol. Despiu a camisa de malha, deitou na arquibancada do campinho de futebol de salão e assim ficou um tempão, entregue ao regozijo do merecido repouso. A paz era tamanha que até chegou a tirar um leve cochilo.
— Ei, moço, bom-dia!
Eram três garotos que chegavam com uma grande secura de bola.
— Vamos fazer um racha? A gente joga dois contra dois.
Resoluto, levantou-se, sacudiu o corpo e foi logo entrando no campo.
O dono da bola, um menino de seus 15 anos, fez a apresentação:
— Eu sou o Márcio, esse aí é o Dico e aquele é o Leo.
Nem esperou que o coroa se identificasse.
— Olha aqui, vai ser eu e Dico contra o senhor e o Leo.
Pela rapidez da escalação, o coroa sentiu que poderia estar entrando numa fria: o bom dali devia ser o Dico. Discretamente, deu uma olhada e viu que o Leo não tinha a menor pinta. De qualquer modo, chamou de lado o Leo e propôs uma chave: o Leo mais na frente, ele mais atrás. Antes, porém, um teste: tocou a bola na direção do Leo para ver que bicho dava. A bola beliscou a canela do Leo. Foi aí que o coroa pensou um desistir. Um senhor de 61 anos meio barrigudo, cheio de cabelos brancos.
— Meu Deus, o que é que estou fazendo aqui no meio desses meninos, uns meninões de 15 anos?
Mas o diabo é que ele já tinha aceitado o desafio. Não ficava bem correr da raia. Afinal de contas, não era a primeira, nem seria a última vez que a vida metia nosso coroa em batalhas decisivas.
No meio do campo, o dono da bola vai cantando as regras do jogo: partida de cinco, quem fizer cinco primeiro ganha; não vale gol direto; não pode pegar a bola com a mão. Só pode se já começar no gol de saída.
E como ninguém sequer pensou em jogar no gol, a partida começa com os quatro na linha. No centro do campo de terra batida, a bola de futebol de salão, por sinal um tanto surrada.
A saída, lógico, é do Márcio. Márcio pra Dico, Dico pro Márcio, que tenta um drible. O coroa, vigilante, rouba a bola e ataca. Procura o Leo, o Leo ficou lá atrás, paradão, sem saber o que fazer. O coroa então chuta do meio do campo. Gol!
— Não vale — grita o Márcio —, eu avisei que não valia gol direto. O senhor tem que passar a bola pro Leo!
Gol anulado, começa tudo de novo. Saída com o Márcio. O coroa pede tempo, vai lá e cochicha uma tática no ouvido de Leo.
Bola em jogo. O Leo dispara e vai ficar plantado bem juntinho da baliza, como pediu o coroa.
Em dez minutos, o coroa já está ganhando de três a zero, três gols de Leo. O esquema funciona bem, mas o jogo é incessante, lá e cá. Agora mesmo, o Dico acaba de fazer o dele: três a um. E o Márcio delira com a reação.
Nova saída. O coroa arranca pelo meio dos dois, parece um foguete; vai em frente e entrega, mais uma vez, embaixo dos paus para o Leo fazer o quarto gol.
A essa altura, o coroa já passeia pelo campo, absoluto. Por sua vez, o time adversário já está literalmente descadeirado.
— Vai, pereba — berra o Márcio, colérico, para o Dico. — Vai nele! Você não disse que o coroa não de nada? Toma a bola dele, palhaço!
A dissensão nas hordas inimigas é profunda. O Márcio e o Dico vão acabar saindo na porrada. Pelo menos é o que pressente o coroa, achando, por isso, que o melhor é liquidar logo essa conta.
Vamos, então, mais que depressa ao quinto e derradeiro gol dessa inesquecível partida. Por que inesquecível, leitor, já já saberemos.
O Márcio faz um passe longo para o Dico. O demônio do coroa, como sempre, adivinha a jogada, corta o centro com o peito em direita. Da coxa, a bola escorre para o peito do pé e pronto: uma, duas, três... o homem começa uma sucessão de embaixadas, faz nove em plena corrida. Na décima, depõe a bola na linha do gol, bem em cima da linha:
— Taí, Leo, faz o quinto e acaba logo o jogo.
O Márcio, uma fera, vai apanhar a bola e nem volta pra dizer até logo. O Dico sai de fininho, mal dá tchau. O Leo, não. O Leo d´[a um abraço legal no companheiro do time.
O coroa senta de novo na arquibancada, tira do bolso a pêra, dá uma mordida triunfal e fica ruminando, em silêncio, o fruto de uma bela vitória.
Os três meninos foram embora sem saber que deram uma certa alegria ao coroa Nilton Santos, também chamado A Enciclopédia do Futebol.
(Foto: Uol / www.uol.com.br)
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10.8.04
Buci
Neto de tia Ciata e grande percussionista das redondezas da Praça Onze, o estaciano Buci Moreira (1909-1982) foi autor de sincopados com letra bem-humorada como este que posto a seguir.
Pois ele figura no repertório das apresentações que farei com o co-bicudo Alfredo Del-Penho (+ Pedro e Paulo Aragão, Jayme, Rui Alvim, Paulino e Tiago) no Centro Cultural Carioca, às terças-feiras de agosto – hoje e nos dias 17, 24 e 31.
Além deste Bucy e outros sambas que por pouco não entraram no Dois bicudos (Quelé), apresentaremos no CCC boa parte do repertório do CD e alguns clássicos do repertório de duplas.
Disse me disse
Bucy Moreira
Na minha casa já não vivo em paz
Disse me disse sempre se propala
Você parece um bom rapaz
Mas na minha casa é só você quem fala
Que fulano fez, que fulana falou
Que fulano foi embora, que fulana chorou
Você falando tanto assim
Eu e sua boca, o que será de mim?
Disse me disse pra cá, disse me disse pra lá
Para acabar com esse costume tão à toa
Você não indo pro hospício
Eu faço sacrifício e mudo pra Gamboa
PServiço: programado com dois sets, o show começa às 21h e custa acessíveis R$12.
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Neto de tia Ciata e grande percussionista das redondezas da Praça Onze, o estaciano Buci Moreira (1909-1982) foi autor de sincopados com letra bem-humorada como este que posto a seguir.
Pois ele figura no repertório das apresentações que farei com o co-bicudo Alfredo Del-Penho (+ Pedro e Paulo Aragão, Jayme, Rui Alvim, Paulino e Tiago) no Centro Cultural Carioca, às terças-feiras de agosto – hoje e nos dias 17, 24 e 31.
Além deste Bucy e outros sambas que por pouco não entraram no Dois bicudos (Quelé), apresentaremos no CCC boa parte do repertório do CD e alguns clássicos do repertório de duplas.
Disse me disse
Bucy Moreira
Na minha casa já não vivo em paz
Disse me disse sempre se propala
Você parece um bom rapaz
Mas na minha casa é só você quem fala
Que fulano fez, que fulana falou
Que fulano foi embora, que fulana chorou
Você falando tanto assim
Eu e sua boca, o que será de mim?
Disse me disse pra cá, disse me disse pra lá
Para acabar com esse costume tão à toa
Você não indo pro hospício
Eu faço sacrifício e mudo pra Gamboa
PServiço: programado com dois sets, o show começa às 21h e custa acessíveis R$12.
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São Lucas
Que o santo dos médicos e pintores dê uma ajuda aos dois queridos amigos bohemios que, operados ontem (com sucesso), se recuperam a passos largos no hospital batizado com seu nome.
(Ilustração: The Ikon Studio/ www.theikonstudio.com)
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Jubarte em Jurujuba
Pobre baleia encalhada em Nictheroy. Veiu passear em nosso litoral e virou atração tourística no pacato reducto de pescadores.
Ao menos duas sortes ela teve: a vista privillegiada que se tem de Jurujuba (os fans de animaes que me perdoem, mas vejam só a photo!) e o facto d’ela não ser tubarão – se o fosse, certamente já teria entrado na porrada, indo parar (aos pedaços) no balcão do Mercado São Pedro.
Como a todo facto corresponde um samba (o tal do mote), temos ahy um de Riachão, feito em 1959 por ocasião da baleia embalsamada que, exposta na Praça da Sé, causou furor entre os sotheropolitanos.
(Foto: Jorge William/www.oglobo.com.br)
Baleia da Sé
Riachão
Olha, eu fui para a cidade
Despreocupado
Quando cheguei na Sé
Vi um povoado
Oi, minino
Fiz um perguntado
Responderam que a baleia
É que tinha chegado
Eu vi o caminhão da baleia
Eu vi o cabeção da baleia
Eu vi o barrigão da baleia
Eu vi o umbigão da baleia
Eu vi o rabão da baleia
Só não vi uma coisa da baleia
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9.8.04
Me dá, me dá, me dá (oi!), me dá um dinheiro aí...
Não sou fan das teorias conspiratórias nem gosto de levantar lebres sem ter provas, mas – convenhamos – alguém aí acredita nesse Criança Esperança?
Pode ser coisa pessoal deste blogueiro que vos escreve, mas esses apelos de Xuxa, Didi Mocó e Anamariabraga pelo meu dinheiro me parecem ter credibilidade mezzo Garotinho mezzo Maluf.
(Ilustração: Folkmanis / www.folkmanis.com)
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Jingles municipais
JOSÉ COLAGROSSI, 1985
Cola, Cola, Colagrossi
Esse Cola vai colar
Cola, Cola e o que não cola
É ficar no blábláblá
Chega de jogo de empurra
Ninguém mais vai se enganar
Cola, Cola, Colagrossi
Vem aí pra prefeitar
BENEDITA, 1992
O que o Rio quer?
Be-ne-di-tá
O que o Rio quer?
Be-ne-di-tá
Pra mudar o Rio
Eu voto em quem confio
É prefeita pro Rio
Be-ne-di-tá
SÉRGIO CABRAL, 1996
Pra ficar legal (é!)
A gente quer o melhor
Sérgio Cabral
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JOSÉ COLAGROSSI, 1985
Cola, Cola, Colagrossi
Esse Cola vai colar
Cola, Cola e o que não cola
É ficar no blábláblá
Chega de jogo de empurra
Ninguém mais vai se enganar
Cola, Cola, Colagrossi
Vem aí pra prefeitar
BENEDITA, 1992
O que o Rio quer?
Be-ne-di-tá
O que o Rio quer?
Be-ne-di-tá
Pra mudar o Rio
Eu voto em quem confio
É prefeita pro Rio
Be-ne-di-tá
SÉRGIO CABRAL, 1996
Pra ficar legal (é!)
A gente quer o melhor
Sérgio Cabral
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Na goela
Leite quente com açúcar queimado
Targifor C
Maçã
Própolis
Bextra
Gargarejo de água morna com sal
Só faltou uma boa atuação da bosta do meu time pra completar meu coquetel de sarar garganta inflamada.
(Ilustração: Unimed / www.unimeds.com.br)
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Faltou...
fazer um pôste que festejasse os amigos do Maogani, do Instituto Jacob do Bandolim e o bravo Paulão 7 Cordas pelos troféus conquistados no Prêmio Rival BR.
Parabéns a eles pelo feito da última quarta.
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fazer um pôste que festejasse os amigos do Maogani, do Instituto Jacob do Bandolim e o bravo Paulão 7 Cordas pelos troféus conquistados no Prêmio Rival BR.
Parabéns a eles pelo feito da última quarta.
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6.8.04
Da série "O contínuo e a secretária"
Ele: Tem um recado pra você
Ela (sem dar bola): Hã...
Ele: Ligou o Sérgio...
Ela: Que Sérgio?
Ele: ...
Ela: O do DPAC, o do DRH, o do estoque ou o meu cunhado?
Ele: Não disse.
Ela (bem baixinho, entre os dentes): Nem pra anotar recado serve...
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Ele: Tem um recado pra você
Ela (sem dar bola): Hã...
Ele: Ligou o Sérgio...
Ela: Que Sérgio?
Ele: ...
Ela: O do DPAC, o do DRH, o do estoque ou o meu cunhado?
Ele: Não disse.
Ela (bem baixinho, entre os dentes): Nem pra anotar recado serve...
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Ferro!
Um empatezinho já nos teria livrado da zona de rebaixamento, mas levamos foi ferro, d’um time que passou o jogo quazi inteiro com um a menos.
Achei que fossemos comemorar o centenário fora do buraco, mas não vai ter jeito, não – só o Flamengo consegue ser pior.
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Um empatezinho já nos teria livrado da zona de rebaixamento, mas levamos foi ferro, d’um time que passou o jogo quazi inteiro com um a menos.
Achei que fossemos comemorar o centenário fora do buraco, mas não vai ter jeito, não – só o Flamengo consegue ser pior.
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Beleza de samba
...que tenho ouvido por conta do repertório do Lembranças 2004:
Menos eu
Roberto Martins e Jorge Faraj
Eras do morro
A mais formosa flor
Todo mundo cantava em teu louvor
Todo mundo, menos eu
Todo mundo colheu a tremer de desejo
Entre a flor de teus lábios
A flor de teu beijo
Todo mundo, menos eu
Tu fugiste depois pra cidade
A alegria do morro morreu
Todo mundo chorou de saudade
Todo mundo, menos eu
Entre as luzes fatais da cidade
A orgia cruel te envolveu
Todo mundo chorou de piedade
Todo mundo, menos eu
Eras do morro
A mais formosa flor
Todo mundo cantava em teu louvor
Todo mundo, menos eu
Todo mundo colheu a tremer de desejo
Entre a flor de teus lábios
A flor de teu beijo
Todo mundo, menos eu
Mas um dia na mesma paisagem
Outra flor a sorrir floresceu
Todo mundo rendeu-lhe homenagem
Todo mundo, menos eu
Teu olhar, tua voz envolvente
Teus cabelos e tudo que é teu
Todo mundo esqueceu, finalmente
Todo mundo, menos eu
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...que tenho ouvido por conta do repertório do Lembranças 2004:
Menos eu
Roberto Martins e Jorge Faraj
Eras do morro
A mais formosa flor
Todo mundo cantava em teu louvor
Todo mundo, menos eu
Todo mundo colheu a tremer de desejo
Entre a flor de teus lábios
A flor de teu beijo
Todo mundo, menos eu
Tu fugiste depois pra cidade
A alegria do morro morreu
Todo mundo chorou de saudade
Todo mundo, menos eu
Entre as luzes fatais da cidade
A orgia cruel te envolveu
Todo mundo chorou de piedade
Todo mundo, menos eu
Eras do morro
A mais formosa flor
Todo mundo cantava em teu louvor
Todo mundo, menos eu
Todo mundo colheu a tremer de desejo
Entre a flor de teus lábios
A flor de teu beijo
Todo mundo, menos eu
Mas um dia na mesma paisagem
Outra flor a sorrir floresceu
Todo mundo rendeu-lhe homenagem
Todo mundo, menos eu
Teu olhar, tua voz envolvente
Teus cabelos e tudo que é teu
Todo mundo esqueceu, finalmente
Todo mundo, menos eu
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5.8.04
Que venha a papada!
Após os revezes de Flamengo (Coxa 1 a 0), Vasco (Timão 3 a 1) e Fluminense (Macaca 3 a 2), restou para o Glorioso o papel de salvar a honra do football carioca na rodada do Brazileiro.
O embate heróico se dará hoje à noite, em nossa cancha, contra o aguerrido Juventude. Fumo neles!
(Ilustração: Sendexnet / www.sendexnet.com)
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Seção de perfumaria
Luana Piovani grávida, Tom Cruise casadoiro, o novo clipe do Maurício Manieri e as inscrições abertas para o Oscar 2005.
Foi o que encontrei n’O Globo Online na madruga desta quinta-feira enquanto procurava o resultado do Prêmio Rival BR...
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Luana Piovani grávida, Tom Cruise casadoiro, o novo clipe do Maurício Manieri e as inscrições abertas para o Oscar 2005.
Foi o que encontrei n’O Globo Online na madruga desta quinta-feira enquanto procurava o resultado do Prêmio Rival BR...
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"Do Oiapoque ao Chuí", este clássico dos jingles eleitorais e dos sambas-enredo
Ulysses, 1989
Bote fé no velhinho
O velhinho é demais
Bote fé no velhinho
Ele sabe o que faz
Vai mudar o país
Do Oiapoque ao Chuí
E acabar com a molecagem
Que tem por aí
Ulysses guerreiro coragem
Com ele vamos construir
Um novo país de verdade
Desta vez o Brasil vai sorrir
Essa é a marca do povo
Cante junto pra mostrar
Que sabe o que quer
Só quem sabe faz o novo
O povo não é bobo
Ulysses é o Brasil de pé!
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Ulysses, 1989
Bote fé no velhinho
O velhinho é demais
Bote fé no velhinho
Ele sabe o que faz
Vai mudar o país
Do Oiapoque ao Chuí
E acabar com a molecagem
Que tem por aí
Ulysses guerreiro coragem
Com ele vamos construir
Um novo país de verdade
Desta vez o Brasil vai sorrir
Essa é a marca do povo
Cante junto pra mostrar
Que sabe o que quer
Só quem sabe faz o novo
O povo não é bobo
Ulysses é o Brasil de pé!
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4.8.04
Pitacos olympicos
Palpites da revista americana Sports Illustrated para nosso paiz em Athenas:
Ouro: Robert Scheidt (vela), Daiane dos Santos (ginástica), Ricardo/Emanuel (vôlei de praia) e o vôlei masculino.
Prata: Carlos Honorato (judô), Márcio/Benjamin (vôlei de praia) e Thiago Pereira (natação).
Bronze: Mário Sabino, Daniel Hernandes, Edinanci Silva (todos do judô), Shelda/Adriana Behar (vôlei de praia) e o vôlei feminino.
A lista completa de chutes vai aqui.
(Foto: Tiscali Webspace / www.tiscali.co.uk)
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Breves de 1989 (ainda na série Esquentando o pleito)
CAIADO
Leva, leva essa bandeira
Leva, leva pro Planalto
Pr’essa gente brasileira
Novamente olhar pro alto
AFIF*
Juntos chegaremos lá
Fé no Brasil
Com Afif juntos chegaremos lá...
*Com coreografia manual.
ABRAVANEL**
É o 26! (ôeee...)
É o 26! (ôeee...)
Com o Sílvio Santos
Chegou a nossa vez!
**Durou menos de uma semana – rapidinho trataram de eliminar a candidatura do cara.
(Foto: Eu, por eu mesma / http://pollyanna.festim.net)
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3.8.04
Jingles inesquecíveis (ou Esquentando o pleito)*
Aureliano Chaves, 1989
No horizonte há uma luz brilhando
É a esperança que já vai chegar
Há tanto tempo estamos esperando
Está na hora do Brasil mudar
Dignidade e austeridade
É disso que o Brasil vai precisar
Por isso vamos de Aureliano
Em Aureliano o povo vai votar
A sua vida é um livro aberto
É um homem sério que sabe o que diz
Aureliano é muito verdadeiro
E o brasileiro vai ser mais feliz
Dignidade e austeridade
É disso que o Brasil vai precisar
Por isso vamos de Aureliano
Em Aureliano o povo vai votar
* Agradecimentos a Joana Ribeiro, pela idéia involuntária...
(Foto: Política para políticos / www.politicaparapoliticos.com.br)
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Vai ter medáia...?
Não sei se sou eu que ando afastado do noticiário esportivo ou se rola ou desânimo geral, mas o fato é que, a despeito dos 10 dias que faltam pras Olimpíadas, sinto que anda fraca a pilha da turma para torcer por nosso brazucas – mais desanimada que os bandeiristas do Bittar.
Será pouca fé em Jardel, Daiane e vôleis, medo de repetir o vexame de 2000 ou é o Pixinguinha que não está me deixando saber dessas coisas...?
(Ilustração: Julis Caesar, the last dictator / http://heraklia.fws1.com)
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Outro Nelson
Mais um sem mote...
Carta fora do baralho
Nelson Cavaquinho
Não sei
Nem quero saber
Não vi
Pago pra não ver
Eu não sou criança
E não me serve esse jogo
Não estou aqui
Para amanhã entrar no fogo
Não gosto
De encrenca com ninguém
Assim
Vivo muito bem
Se ela pinta o sete
Quando ele vai para o trabalho
Não me interessa
Sou carta fora do baralho
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Mais um sem mote...
Carta fora do baralho
Nelson Cavaquinho
Não sei
Nem quero saber
Não vi
Pago pra não ver
Eu não sou criança
E não me serve esse jogo
Não estou aqui
Para amanhã entrar no fogo
Não gosto
De encrenca com ninguém
Assim
Vivo muito bem
Se ela pinta o sete
Quando ele vai para o trabalho
Não me interessa
Sou carta fora do baralho
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2.8.04
Domingo feliz
No dia em que deu azarão no GP Brasil e Turfe, o Glorioso jogou o fino na cancha campineira e não deu chances ao Guarany (2 a 0, aí incluído um goal de bicicleta de Schwenk!), devolvendo a lanterna ao Flamengo.
À frente na classificação do club da Gávea, do Paysandu e do próprio Guarany, somos agora os mais adiantados entre os grêmios da rabeira – espécie de focinho de porco do Campeonato Brasileiro.
(Foto: Gel Communications / www.gel-communications.co.uk)
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Nelson
Felizmente sem gancho, deu vontade de abrir a semana com um samba de Nelson Cavaquinho, que há tempos não era lembrado aqui.
Revertério
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito
Do pó vieste e para o pó irás
Neste planeta tudo se desfaz
Não deves sorrir do mal estar de alguém
Porque o teu castigo chegará também
Vives como um fidalgo
Guarde a tua riqueza
Que eu ficarei com a pobreza
Eu me considero rico em ser pobre
Faça como eu que sempre soube ser nobre
Tens um coração de pedra
De ninguém tens dó
Tu também és um que vieste do pó
Vives como um fidalgo
Guarde a tua riqueza
Que eu ficarei com a pobreza
(Foto: Jangada / www.jangada.org)
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Da já afammada sérye “O contínuo e a secretária”
Ela: Quem era o cara que estava conversando baixinho com você?
Ele: Amigo meu.
Ela: Amigo seu?
Ele: É.
Ela: Amigo, nada. Era o agiota.
Ele: Mas é amigo meu.
Ela (alto): A-gi-o-ta!!!
Ele: ...
Ela: Vou ter que comprar naftalina pra ver se espanto essa gente daqui.
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Ela: Quem era o cara que estava conversando baixinho com você?
Ele: Amigo meu.
Ela: Amigo seu?
Ele: É.
Ela: Amigo, nada. Era o agiota.
Ele: Mas é amigo meu.
Ela (alto): A-gi-o-ta!!!
Ele: ...
Ela: Vou ter que comprar naftalina pra ver se espanto essa gente daqui.
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