30.12.04




Feliz ano-bom!

Que os amigos tenham muita paz, prosperidade, sahude e sobretudo samba a granel neste ano que, de tão promissor, já começa num sábado!

Imagens: CSUS (www.csus.edu) / Birthday Supplies (www.birthdaycraftsandsupplies.com) / Pewter Kingdom (www.pewterkingdom.com) / Esmas (www.esmas.com)

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Footbalísticas (os últimos apartes de 2004)

Luxa no Real: que ele seja bem sucedido por lá (a um oceano de distância), até para não precisar voltar.

Romário: uma década após o vexatório centenário rubro-negro, o Baixinho volta a tropeçar n’outra barriga (a notícia de sua aposentadoria) de outro Renato (o Maurício Prado). Que seja o último tropeço.

Botafogo: falando em centenário, meu time perde até quando não joga – vide Felipe, que do topo de nossa lista virou reforço quase certo do Flu. Falta um dia, aliás, para o anúncio do aguardado reforço arrasa-quarteirão prometido pelo presidente.

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Elurofilia

Foi só a fubanga Vicki chamar de elurófila nossa Cristina Buarque pro velho e pesado Aurélio sair da prateleira e tentar – em vão – me socorrer.

Já a busca no Google foi mais bem-sucedida, confirmando o que dava para supor: a tal da elurofilia – ou ailurofilia, como o termo aparece mais vezes – significa amor aos gatos, paixão pelos bichanos, afeto pelos felinos, coisas desse tipo.

Aind’assim, sigo na expectativa por uma definição de dicionário, daquelas esmiuçadas, de modo que serão bem-vindas as eventuais contribuições que possam ser postadas pelos felizes proprietários de exemplares do Houaiss ou Caldas Ao Leite.

Fotos: Café Music (http://trombeta.cafemusic.com.br) / Magda (www.geocities.com/Yosemite/2045)

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Tal de vírus

Agora, que consegui livrar meu computador de um certo cavalo de tróia (até um espião foi encontrado, vejam vocês...), vivo à cata de um antivírus que me ajude a deletar um diabo de gripe, esta de verdade, que resolveu me pegar às vésperas do reveilão.

Já estão feitas as preces para Santa Aspirina e São Targifor...

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29.12.04




Agora sim

Com o anúncio da aposentadoria, Romário fica livre do presente decadente para, enfim, ser celebrado como grande verbete do nosso futebol.

Viva o ex-atacante, que finalmente marca seu último gol ao fechar de vez a matraca e pendurar as chuteiras.

Adeus, marra!
(Foto: Patria Grande / www.patriagrande.net)

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Cumé que é?!

Encontro um amigo alvinegro durante a caminhada matinal e fico sabendo das últimas:

"Agora vai, hein? Um vizinho meu que está metido no Botafogo, o Robertinho, me garantiu que vamos com força total para 2005: além do Felipe, que só falta assinar, estamos para trazer um grande reforço da Europa – dizem que é o Geovanni, aquele vice-campeão de 95. Mas o melhor mesmo vai ser o estádio da Leopoldina, que deve ficar pronto já pro Brasileiro!"

Ou o camarada tomou algumas no café, ou era pegadinha da grossa, ou o clube já começou a jogar suas cartas para demover o alvinegro Dapieve de sua idéia de ano sabático...

(Imagem: Rembrandt em iBiblio / www.ibiblio.org)

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Daquelas que a gente fica assoviando...

Na impossibilidade de postar a bela melodia deste tango que não sai da cuca, que a letra do paulista Alfredo LePera sirva ao menos de amostra.

A música – para quem se lembra do filme Perfume de mulher, versão 1992 – é aquela manjada, da cena em que o coronel cego tira a mocinha pra dançar.

Por una cabeza
Carlos Gardel e Alfredo LePera

Por una cabeza de un noble potrillo
Que justo en la raya afloja al llegar
Y que al regresar parece decir
No olvides, hermano, vos sabés que no hay que jugar...
Por una cabeza, metejón de un día
De aquella coqueta y risueña mujer
Que al jurar sonriendo, el amor que está mintiendo
Quema en una hoguera todo mi querer

Por una cabeza
Todas las locuras
Su boca que besa
Borra la tristeza
Calma la amargura

Por una cabeza
Si ella me olvida
Qué importa perderme
Mil veces la vida
Para qué vivir...

Cuántos desengaños, por una cabeza
Yo juré mil veces, no vuelvo a insistir
Pero si un mirar me hiere al pasar
Su boca de fuego, otra vez, quiero besar

Basta de carreras, se acabó la timba
Un final reñido yo no vuelvo a ver
Pero si algún pingo llega a ser fija el domingo
Yo me juego entero, qué le voy a hacer

(Imagem: BFI.Org / www.bfi.org.uk)

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28.12.04


Bradesco pé-frio!

Não sei se é o caso de tirar do ar, mas que o maremoto de domingo deu uma azedada num recente anúncio de réveillon da Bradesco Seguros, deu.

No filmete, um casalzinho de branco brinca de pular ondinhas na beira da praia até que, depois da sexta marola, é engolido por uma onda gigantesca.

O filme termina com os dois coitados estirados na areia, nocauteados pela tal tsunami e tirando peixes de dentro da roupa, enquanto o locutor dá o moral da história: “Pule sete ondas no ano-novo, mas faça também um plano de previdência Bradesco, só pra garantir.”

Funesto?!!! Magiiiina...

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Pablito y la muchachada

Como era de se esperar, ficou uma uva o DVD de Paulinho da Viola, Meu tempo é hoje, que traz o filme de Izabel Jaguaribe acrescido de valiosos extras.

Um dos "plus a mais" do presente natalino que recebi de minha digníssima é, por exemplo, a opção "legendas" (espanhol, francês e inglês), que dá resultados curiosos como este...

Argumento
Paulinho da Viola

Está bien, acepto el argumento
Pero no me alteres el samba tanto así
Mira que la muchachada
Está sintiendo la falta
De un “cavaco”, de un pandero y de un tamborín

Sin prejudícios
O manía de pasado
Sin querer ponerse de lado
De quien no quiere navegar
Haz como un viejo marinero
Que durante la niebla
Lleva el barco despacio

(Foto: Rhinestone Rainbow / www.rhinestonerainbow.com)

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Mãos ao alto!

Tudo bem que a sorveteria Mil Frutas nunca foi barateira e que sua fama não vai além de produtos gelados, mas vender café expresso a R$ 3 é meio demais, não?

Na ausência de um concorrente aberto no último dia 25, foi o jeito...

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Mais frases d’O Som do Pasquim

Roberto Carlos: “Sabe bicho?, eu considero que sempre me vesti fora de série.”

Waldick Soriano: “Eu sou pé de mesa.”

Bethânia: “Segundo me dizem, só recebo (espírito) quando estou cantando.”

Caetano: “Eu sou tímido, é meio difícil de conseguir o que quero, não tenho coragem de ferir as pessoas.”

Agnaldo Timóteo: “Milton é burro, porque um homem que todo mundo escreve que é gênio, que não tem um apartamento próprio, que anda a pé, é burro, burro!”

Morengueira: “Se provado mesmo que o tal ladrão matou, fuzila.”

Foto: Basilico – A Gastronomia na Web (http://basilico.uol.com.br)

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27.12.04


Paquetá

O mar já não está tão freqüentável, mas o samba do pôste de hoje segue na mesma forma de 1954, quando foi lançado na voz do compositor Geraldo Pereira, seu provável autor.

Já a ilha-bairro da letra continua propícia aos convescotes, conforme ficou provado no bom passeio de ontem, com minha digníssima e sua turma.

Professor de natação
Avarese e Maurílio Santos

Se você quiser aprender a nadar
Eu posso ensinar
Não tenha receio
Pois sei um meio de lhe ensinar
Sem pegar
Eu tenho certeza que do meu ensino
Você gostará
E se você concordar
Se encontre comigo em Paquetá

Você em poucas aulas
Marcará tempos sensacionais
Publicarão seus retratos
Em revistas e jornais
Pois eu secretamente
Tirei diploma de professor
E descobri novo estilo
O qual só ensino a você, amor

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Os pássaros, né...? Os socós... Inhambus...

Depois de Chico na Folha, hoje é dia de Tom Jobim na TV Cultura, no Roda Viva especial que vai ao ar às 22h30min.

A entrevista memorável, gravada em 1993, tem momentos ótimos como a roda inteira querendo avançar na jugular do compositor, que, peruntado por que não responde às perguntas, mais uma vez deixa a turma sem resposta.

Amanhã a Cultura exibe especial com Antônio Nóbrega.

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Matando a saudade

Uma beleza a pelada dos veteranos transmitida pelo SporTV no fim de semana...

Zico preciso nos passes, Júnior sempre bem posicionado, Andrade com inteligência firmíssima e Adílio se divertindo a valer. Quem teve a sorte de ver, matou saudades d'um negócio chamado fundamento, tão presente no futebol até um certo tempo, tão essencial pro jogo.

Tanto que, mesmo com o festival de carecas, cabelos brancos e panças ridículas (como a de Roberto Moby Dick Dinamite), o jogo correu macio, cheio dos acertos, apesar da saca de batatadas de Bebetinho, patético até na condição de veterano.

Não fossem, aliás, as pixotadas do Baianinho, Zico e cia não teriam proporcionado a cereja do meu sundae: a enfiada de cinco que levaram do adversário. O time se chamava Estrelas do Flamengo.

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23.12.04




Ho ho ho

Feliz Natal a todos, abraços à família, lembranças aos amigos, não exagerem na bebida nem nas rezas...

E para quem, como eu, não cultiva o bom hábito de ler a coluna do Jabor, sugiro a de anteontem, boa pra dedéu. Tentei oferecer os links para o texto, mas eles logo caducaram e então resolvi postar a íntegra (não gosto disso, mas não houve jeito).

As letras miúdas são para o tijolaço ficar um pouco mais leve - quem quiser, pode dar copy e paste pro Word e aumentar a fonte...

Papai Noel só existe nos shoppings luminosos

Ele já tinha sido Rei Momo num bloco da periferia, tinha pegado dois anos de cana por assalto a um posto de gasolina em Diadema, tinha se arrependido, virado evangélico; depois, descreu, foi figurante de filme de sacanagem, no papel de diabo no meio de uma suruba no inferno, e, agora, era Papai Noel. Quando o contratou por uma mixaria, para a semana pré-natalina, o homem do shopping center achou-o meio sem graça mas, por sua imensa barriga e a vasta barba suja, concluiu que dava um Papai Noel legal.

“Com uma boa lavagem nessa barba, dá pra quebrar o galho”, disse-lhe o homem do shopping, como se lhe fizesse um favor. “Você vai ficar sentado aí no meio desses veadinhos de plástico, põe as crianças no colo e faz-lhes sempre as perguntas: ”Que você quer ganhar no Natal?“ Aí, a criança fala e você diz que ela tem de ser obedientezinha, que não pode sacanear a mamãe e o papai, não pode dar porrada na irmãzinha mais moça e aí... você passa a mão na cabecinha dela e ri bem alto: ‘Ho, Ho, Ho!’ Faz...”.

“Faz o quê?” — perguntou o candidato a Papai Noel.

“Ri!”.

“Ho, ho, ho”.

“ Tá uma bosta, parece que você está tossindo! De novo!”.

“Ho, ho, ho!”

“Melhorou, mas treina em casa. Deixa eu cheirar. Não pode estar fedendo nem ter mau hálito, pois você é o bom velhinho e tem de falar com as criancinhas sem cheirar mal. Você vai ter de ficar aqui de 1h até as 8h da noite, sentado, pode sair para mijar ali adiante e fazer cocô, claro, mas vai andando lentamente e disfarça porque fica feio Papai Noel se cagando pelos banheiros do shopping. Depois, lava as mãos e volta, para não ficar contaminando os nenenzinhos. Outra coisa que não pode é ficar olhando para as mães gostosas que forem falar com você. Muitas mães vêm de calça justinha e barriga de fora, com aquela tatuagem aparecendo no rego da bunda, na altura dos rins, mas não pode perguntar que tatuagem é aquela nem o que ela quer para o Natal, se ela gosta de peru ou se vai ter rabanada na mesa, nada disso, tem de fazer cara de bonzinho, só dando risadinha. Tem também umas meninas mais grandinhas, de 12, 13 anos, que gostam de sentar no colo do Papai Noel só de sacanagem; elas vêm em grupos e ficam rindo e sentando no seu colo, umas já têm uns peitinhos grandes e coxinhas bonitas, mas você finge que não percebe nada, pois tem umas que têm um perfume divino, uns cabelos lindos e gostam de ficar fazendo festinha nas barbas do Papai Noel. (Ele bem que sentiu esse perfume e esses dedinhos juvenis em seu rosto nos dias seguintes, mas obedeceu o cara...) E toma cuidado também com uns garotões filhos-da-puta que ficam puxando a tua barba, perguntando se é de verdade... Não pode empurrar o menino do colo e tem de rir ‘ho, ho, ho’ e dizer suavemente: ‘Existo, sim’. E também não pode paquerar babás gostosas que se amarram em Papai Noel, a fim de descolar um presente, não sei que porra elas vêem em papais noéis, mas é verdade... (Ele até cantou uma, quando o segurança não estava olhando, mas ela fugiu rindo: ‘Eu, hein, Papai Noel? Tu tá broxa!’...) Aliás, no fim de semana, vem aí uma Mamãe Noel fazer par com você... (Foi o maior pesadelo, pois a Mamãe Noel ficava se esfregando nele, dando-lhe beijinhos chilreados na frente das criancinhas, e ele só no ho, ho, ho... Foi uma barra, mas a Mamãe Noel foi despedida porque chegou duas vezes bêbeda) E tem mais: naquela loja ali tem um Papai Noel que a gente não contratou porque é muito magro, que vai ficar passando aqui e vai te sacanear, chamar você de ”veado“; não reage....

É isso aí... parabéns... você é o Papai Noel desse shopping. Olhe em volta, veja que palácio enorme, todo de mármore cor-de-rosa e corrimãos dourados, cúpula de cristal, sinos tocando, veja a enorme árvore de Natal... Você tem uma missão importante: vender esperança a essa gente toda e fazer com que elas gastem grana aqui! Aqui só vem bacana... Capricha que, se você for legal, ano que vem tem mais!”

Tudo que Valdecir dos Santos, o novo Papai Noel, disse para o homem do shopping foi: “Falou!”. Afinal, ele precisava dos oitentinhas por dia que lhe pagariam, pois o homem falou que era o máximo que dava para pagar, pois “os papais noéis hoje em dia estão pela hora da morte...” e ele concordou constrangido, se sentindo mais barato. Mas, tudo bem... Ia faturar uma graninha boa em uma semana. Experimentou a roupa, treinou o riso no espelho e estreou no dia seguinte. No inicio, sua risadinha saía rouca, trêmula. Perguntava o que o menino queria para o Natal e, diante da resposta de “roupa do Power Ranger ou máscara de Homem Aranha”, ficava tímido e mudo, constrangendo as crianças e mães. Mas, aos poucos, pegou jeito e chegou a cantar “Noite feliz” para umas babás gostosas que riam de barriga de fora.

Mas o homem do shopping não previra tudo que aconteceria na semana, como os punks doidões que lhe beliscaram e fugiram correndo com seu saco, perseguidos pelo segurança, ou o menino que lhe mijou na roupa vermelha e berrou que o bom velhinho estava mijado, tendo ele de ir correndo ao almoxarifado secar a calça, só de cuecas, casaco e gorro.

No fim do primeiro dia, recebeu sua graninha, botou sua roupa civil, pegou o ônibus que o levou até a periferia, onde saltou e foi direto ao boteco. Sentou na mesinha e ficou tomando uma cerveja, olhando a cidade iluminada ao longe. Dentro, uma negona de porre cantava um rap maluco imitando a dança da garrafa sob o olhar morto dos bêbedos do balcão. Valdecir dos Santos ficou olhando o escuro, tomando cerveja.

Foi dormir no quartinho alugado no fundo do boteco e dormiu mal, acordando no meio da madrugada, doido para voltar ao trabalho, quando se sentiria de novo festejado, bajulado, beijado, respeitado por todo mundo. Dormiu mais um pouco de manhã, e sentiu no sonho as mãos de adolescentes afagando-lhe a barba, perfumadas, sentadas no seu colo. De novo no ônibus, ansiava por chegar logo ao shopping rosa-e-ouro, onde passaria o dia a prometer felicidade a todos com seu “ho, ho, ho”.


(Imagem: Alameda, California / www.ci.alameda.ca.us)

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Blogli

A dica foi enviada pela amiga Nanavaz...

Trata-se de um blógue muito bacana, o Blog do Mogli, feito por um amigo dela que recentemente trocou Londres por um parque-reserva no Quênia - litoral leste da África, capital Nairóbi, banhado por um tal de Oceano Índico...

Com pôstes galhofeiros e esporádicos, o sujeito descreve como vai a adaptação à vida local (sobretudo à fauna) e rende pérolas como esta:

"Tucano é o bicho mais lerdo que se pode imaginar. Eles são absolutamente mansos, muito amigáveis (os pássaros mais amigáveis que conheço), mas absolutamente lerdos. Quando estou dirigindo tenho que tomar um super cuidado para não atropelá-los porque eles não saem da estrada. Eu me tornei especialmente fã do PFL, um tucaninho com o pescoço machucado que invade minha casa todos os dias em busca de comida. Ele come na minha mão. Digamos que ele é fisiologista. Basta você oferecer alguma coisa para ele que ele se aproxima."

Mais .

(Foto: Mala Mala / www.malamala.com)

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Tricolor, paulista, cervejeira e craque no molho pesto...

Um brinde a Cristina Buarque, ilustre aniversariante do dia.

Adeus, mocidade
Roberto Martins e Benedito Lacerda

Adeus minha mocidade, adeus
Passado que me deixou saudade
Conservo ainda um amor nos sonhos meus
Por isso digo adeus
À mocidade

A sorte sempre me favoreceu
Não há ninguém mais feliz do que eu
Amei bastante, fui inconstante
Por isso digo à mocidade adeus

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22.12.04




Aquelaquedaleite

À cumádi, que aniversaria hoje, tem “uns amigos meio diferentes” e ainda por cima toca pandeiro, dedico este Caymmi que dá um filme:

Eu fiz uma viagem
Dorival Caymmi

Eu fiz uma viagem
A qual foi pequenininha
Eu sai dos Olhos d’Água
Fui até Alagoinha

Agora colega veja
Como carregado eu vinha
Trazia minha nêga
E também minha filhinha

Trazia o meu tatu-bola
Filho do tatu-bolinha
Trazia o meu facão
Com todo o aço que tinha

Vinte couros de boi manso
Só no bocal da bainha
Trazia uma capoeira
Com quatrocentas galinhas

Vinte sacos de feijão
E trinta sacos de farinha
Mas a sorte desandou
Quando eu cheguei em Alagoinha

Bexiga deu na nêga
Catapora na filhinha
Morreu o meu tatu-bola
Filho do tatu-bolinha

Roubaram o meu facão
Como todo o aço que tinha
Vinte couros de boi manso
Só no bocal da bainha

Morreu minha capoeira
Das quatrocentas galinhas
Gorgulho deu no feijão, colega
E deu mofo na farinha...

(Ilustração: Paula Best and Co. Rubber Stamps / www.paulabest.com)

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E os clubes do Rio, hein?

Tem época mais prazerosa pros torcedores de clubes em desenvolvimento do que a entressafra?

Além de estarmos livres dos desgostos semanais, ficamos a par do futuro maravilhoso que nos aguarda: o profissionalismo que vai chegar, a possível contratação de jogadores de seleção (resta saber se da Copa de 86 ou 90...) e o treinador genial que está nos planos – ou que já chegou, como no caso do Abelão, no Flu.

Tem também os que saem shootando o balde, como o Leovegildo Júnior, que, aliás, ainda não recebeu uma resposta decente do presidente do Flamengo.
(Foto: Viver Cidades / www.vivercidades.org.br)

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21.12.04


Boi, boi, boi...

Gravada pela Calcanhoto no recente Adriana Partimpim, esta canção de Arnaldo Antunes me foi refrescada outro dia pelo compadre Goldenstein. Ótima letra para esta toada que, não fosse a voz de trovão do ex-titã, serviria muito bem de canção de ninar.

Aproveito para dedicar aos petizes blogueiros: ao Antonio, à Clarinha, ao João Gabriel e ao Miguelito.

Saiba
Arnaldo Antunes

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você

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Chupa-cabra já!

Dia desses deu saudade de Pedro do Rio, casa da minha avó, onde tinha um caseiro que comia capivara (além de gambá, bagre e qualquer outra iguaria que vivesse pelo Rio Piabanha...).

Bem que esse moço podia reaparecer com uma fome daquelas e devorar essa chatice (anti-notícia, factóide sem graça) que vem nos enchendo os ouvidos neste pré-Verão: "salvem a capivara", "capivara no subúrbio não pode", "Latorraca defende capivara", "crianças perguntam pela capivara no zôo"...

Frigideira nela!

(Foto: Barbecue Online / www.barbecue-online.co.uk)

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Barbosa, Zelda e Lurdinha

Cada vez mais chocante, a onda oitentista que move os órfãos de Isabel Aparecida e Kleverson Carlos vai anunciando mais um filhote televisivo.

Espero não ter entendido errado, mas ouvi numa chamada do canal Multishow que serão ressuscitados a partir de janeiro programas como Armação Ilimitada, TV Pirata e os Anos Dourados e Rebeldes.

Será "pá e bola", como dizia no Show do Esporte o calvo Elia Júnior.

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20.12.04




Adeus, ano veeeelho...

1. Livramos nosso pescoço, salve o Glorioso!, mas carregar jogador nos ombros é meio demais, não?

2. O Botafogo lutou em Curitiba, conseguiu o improvável, mas poucos centenários foram mais bisonhos que o alvinegro. Que o presidente se livre logo de nosso estábulo de jogadores e traga gente melhor em 2005.

3. De onde tirar o dinheiro, não faço a mínima idéia, mas espero que ele faça - até porque, se quis ser presidente, é porque deve ter algum projeto.

4. Enquanto Bota, Fla e Vasco lutaram contra o rebaixamento e o Flu terminou em nono, os clubes paulistas nos deram um banho: fizeram o campeão, puseram dois na Libertadores e outros dois na Sul-Americana.

5. Parabéns ao Santos, bicampeão justíssimo e recordista de gols em todas as edições de Brasileirão, com 103 (57 marcados pelo trio Robinho-Deivid-Basílio).

6. Duro é aturar o Luxemburgo, cada vez mais insuportável e incontestável – penta brasileiro 11 anos após a 1ª conquista, em 1993 (Palmeiras).

7. Ao leitor rubro-negro furão que não vai se vestir de mulher, só lamento a explicação no pós-jogo do SporTV. “Ala de baianas não aceita homens” não pode colar, até porque a fantasia prometida era de índia potyra. Que o destino se encarregue de descontar no seu Flamengo...

(Foto: Photo.Net / www.photo.net)

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Menas gente

Já não há mais tanta gente pelo Centro do Rio, que, apesar de calores insuportáveis como o da semana passada (até o vento é quente!), anda mais transitável por esses dias.

Em tempo: tal constatação só foi possível pois o Capanema ainda está de pé e seus elevadores de aço escovado, funcionando em pleno vapor.

Meus agradecimentos à administração do "palácio".

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Os subterrâneos do choro

Depois de ganhar os sábados na Glória e a aprazível cidadela de Mendes por uma semana inteira, o choro chega também ao metrô do Rio.

Não que nossos chorões pretendam adaptar para o sub-solo carioca o bem-sucedido Pagode do Trem.

A notícia é que - diz um cartaz que vi na estação Catete - a programação musical do metrô não conta mais com aquele Rigolletto interminável, mas com os CDs da Acari Records.

Nossos ouvidos agradecem.

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17.12.04




Gente que fala

Aspas soltas e pitorescas retiradas d’O som do Pasquim – livreto de entrevistas com figurões da música (Ed. Codecri, 1976) que tive a sorte de encontrar no sebo leblonino Dantes:

Ângela Maria: “Quando eu canto em inferninhos, sou recebida com muito respeito, na hora em que eu canto é um silêncio profundo, não vejo ninguém se beijar, não vejo bolinação nenhuma.”

Lupicínio: “A partir das quatro horas da manhã, sou só da patroa.”

Chico: “Isso eu sei até hoje, se alguém esquecer a chave dentro do carro, eu sei abrir.”

Gonzagão: “Eu era doido que Lampião passasse por Araripe pra eu seguir o bando.”

Tom: “Dizem que o Frank Sinatra dá socos na cara dos outros e tudo; só posso dizer que, comigo, ele foi uma dama, uma dama de alta fidúcia.”

(Ilustração: Biblioteca Virtual da USP / www.bibvirt.futuro.usp.br)

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É praga, é?

Sumpaulo, 17 de dezembro de 1995: Botafogo empata com o Santos no Pacaembu e levanta o caneco do Brasileirão.

Quem diria que, passados nove anos e dois dias, estaríamos penando para evitar nosso segundo rebaixamento, na mesma rodada que tem o Santos como favorito ao bi nacional?

Outra infeliz coincidência: o ano do primeiro título santista, 2002, é o mesmo de nosso primeiro rebaixamento. Primeiro e único, se Deus quiser.

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Controle remoto a postos!

Como aquecimento para as emoções fortes do domingo, a boa do sábado é a programação noturna da Rede Globo.

É que, nesta semana, o impagável Zorra Total terá a companhia de ninguém menos que o grande Roberto Carlos, popular O Rei, nosso Michael Jackson.

Haja coração!
(Ilustração: Caricature Zone / www.magixl.com)

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16.12.04




Fim de férias...

Volto hoje à labuta na esperança de que o Capanema permaneça de pé (como o Botafogo) e de que 2005 chegue logo, de preferência cheio de sol e das boas novidades!

Volto também às letras com mote, como este samba portelense do ótimo repertório de Cyro Monteiro:

Meu trabalho
Osvaldo dos Santos, o “Alvaiade”

Moço, meu trabalho é pesado como o quê
Moço, meu batente é duro de roer
Moço, meu trabalho é pesado como o quê
Moço, meu batente é duro de roer

Levanto cedo, vou pro meu trabalho
Vivo contente procedendo assim
Além dos filhos que deixei em casa
Tem uma dona que cuida de mim
A minha mão é toda calejada
Trabalho muito no cabo de enxada
A minha vida não é sopa, não
São oito bocas me pedindo pão

(Imagem: The Gremlin Animation & Fine Arts Gallery / www.thegremlin.com)

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Nossa História, ano 2, nº 14

Fui fisgado pelo tema da capa deste mês (Pra frente Brasil! Futebol em tempos de ditadura), mas gostei mais de outros três textos da excelente revista editada pela Vera Cruz.

São eles um apanhado das formas de Natal à brasileira (por Martha Abreu), um artigo de João Máximo sobre a faceta modernista de Noel Rosa (e suas más companhias) e uma entrevista não-assinada com o teatrólogo paraibano Ariano Suassuna, o moço da foto.

Deste último, destaco um trecho inté-ré-ssânte:

“Os comunistas tinham comigo um relacionamento muito curioso. Quando eu denunciava americano, eles se juntavam a mim e batiam palmas. Mas queriam que eu calasse a boca a boca quando, por exemplo, eu protestei contra a perseguição ao (Bóris) Pasternak e outros na União Soviética. Um amigo meu, marxista, chegou a dizer: ‘Você está respaldando a tese de que comunista come criancinha!’. Eu disse: ‘Comunista não come criancinha. Eu sei e você sabe também. Mas comunista fuzila intelectualzinho...’ (risos)”

Está recomendada a revista, que tem preço salgado (R$ 7,80), mas é uma tetéia. Aproveito, inclusive, para avisar que estou alugando meu exemplar, a módicos R$ 5 a hora.

(Foto: Sinpro / www.sinpro-pe.org.br)

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Ah, Botafogo...

Li que um time inteiro tinha sido dispensado e fiquei feliz, mas só até ver o tal “time inteiro” era o terceiro time, o dos carnes-fritas...

Aí me lembrei das declarações do cabeça-de-área Túlio na véspera e, como num passe de mágica, minha infelicidade se transformou em esperança.

“Não somos piores do que eles”, dissera o jogador, sem explicar, contudo, por que diabos o Atlético-PR está brigando pelo título e nós, pela permanência na Série A.

É como diz o sábio zagueiro Váldson... Futebol é uma caixinha de cervejas.

(Foto: Wood Things / www.woodthings.com)

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15.12.04


A borboleta e o passarinho - final feliz

Os amigos se lembram dos primórdios deste blógue, quando nos divertíamos às custas de estabelecimentos como o café-com-gravata e o guarda-chuva-com-bacalhau?

Pois andei vendo coisa mais bizarra em Recife, onde a turma parece ter aprendido direitinho com a bizarrice de nossos casamentos comerciais...

Trata-se de um certo Adroaldo - Tapetes do Mundo, marca de tapete que anuncia em nada menos do que embalagem de... adoçante! Quem duvida que vá conferir nos cafés do moderno aeroporto recifense ou então na modesta (e desfocada) foto que apresento a seguir.



(Foto: Pedro Paulo Malta, neste Mascavinhas)

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Voltando a Mercedes Sosa

Mais uma de seu repertório que conheci num dos CDs trazidos da Argentina, esta gravada ao vivo e com a platéia em polvorosa:

Canción com todos
Julio César Isella e Armando Tejada Gomez

Salgo a caminar
Por la cintura cósmica del Sur
Piso en la región
Más vegetal del tiempo y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de América en mi piel
Y anda en mi sangre
Un río que libera en mi voz su caudal

Sol de alto Perú
Rostro Bolivia estaño y soledad
Un verde Brasil
Besa mi Chile cobre y mineral
Subo desde el Sur
Hacia la entraña América y total
Pura raíz de un grito
Destinado a crecer y a estallar

Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento
Canta conmigo, canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz

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Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo piano e voz

Algumas impressões do recém-lançado CD de Tom Jobim (selo Jobim Biscoito Fino), gravado em 1981 no Palácio das Artes, em BH:

1. Adorei a rara introdução cantada do Desafinado que abre os trabalhos – só conhecia a versão em inglês, do disco Terra Brasilis (1981).

2. Bacana a organização do roteiro, desenhado de acordo com as parcerias – primeiro Newton Mendonça, Dolores em segundo, depois Vinícius, em seguida Aloysio de Oliveira, depois Chico e, por fim, Tom com Tom.

3. Todo mundo sabe que Tom Jobim nunca primou pela voz, mas seu canto “cheio de sentimento” merece atenção especial em Modinha e Eu não existo sem você – mesmo com deslizes na letra da segunda.

4. Minha faixa preferida é a de número 6, que traz em Água de beber um piano com ótimos molhos.

5. Já a ofegância de que mais gosto está no iniciozinho de Águas de março, bem em cima do microfone. Parece um besouro!

6. Ótimas as intervenções faladas, sobretudo as que tratam de Dolores, Vinícius e Chico – sem contar com a abertura, com seu tema preferido: “Nós viemos aqui e era uma picada, taquaruçu de espinho, muito macuco, aquela coisa...”

7. Outro momento lindo está em Por causa de você, dele com Dolores Duran: pela história de como foi feita e pela beleza, tanto da música quanto de sua interpretação.

8. A platéia ajuda e até deixa algumas músicas sem aplauso no meio, evitando coisas do tipo “Vai minha clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap sem ela não pode ser...”

9. Um senão longe de comprometer: o belo projeto gráfico poderia trazer ao menos uma foto do show gravado – pesquisável em qualquer jornal de BH...

10. Outro senão, igualmente menor que todo o resto: o título – Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo piano e voz – poderia ter travessões ou vírgulas que o tornassem mais palatável / respirável / pausável.

Fotos: Melody.Ru (www.melody.ru) e Geocities (http://br.geocities.yahoo.com/)

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14.12.04




The Carpenters

Meu assessor jurídico nem bem terminou de degustar o digestivo de frutas da Lapônia que lhe ofereceu o Seu Pimenta e já teve que arrumar as malas para o Oriente.

É que, no sábado vindouro, ele e sua senhora partem rumo à Ásia, onde visitarão a China, o Laos, o Vietnã e alguns outros países que odeiam os EUA - trata-se de uma excursão barbudinha, conforme os amigos podem perceber.

Que corra tudo bem na viagem de nossos convivas e que eles não deixem de vasculhar o ótimo blógue de Gilberto Scofield para saberem, por exemplo, por que diabos o churrasquinho de gato não pega tão mal por lá.

Imagem: Eang Jian Feng (http://blog.wangjianshuo.com)

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Recordar é viver

Com os 95% de chance que o Flamengo tem de permanecer na Série A (graças aos dois últimos feitos em SP), nunca é demais lembrar que tem leitor nosso que está a 5% de se vestir de índia potira.

Pois foi há pouco mais de um mês, num restaurante do Leme, que nosso leitor – jornalista, rubro-negro descrente – fez questão de tornar pública sua promessa para este ano: se o Flamengo se safar da Série B, passo uma semana vestido de índia.

Se será poti-guaçu, poti-ceci ou poti-mirim, não importa.

Queremos é ver o cumprimento de sua palavra.
(Foto: Terra/www.terra.com.br)

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13.12.04




E aí, já sabe a última do Botafogo?

Usou a última bala que tinha para um tiro no pé e agora precisa vencer o Atlético-PR em Curitiba para se manter na Série A sem depender de outros resultados.

Mas, enquanto seu lobo não vem, fiquemos com este que pode ser o réquiem do nosso centenário...

Retrato em branco e preto
Tom Jobim e Chico Buarque

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

(Foto: Wondermill/www.wondermill.com/)

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Triiiimmmmm!

“Alô. Por obséquio, a casa já está aberta?”
“Não. A senhora está falando com uma alma penada!”

Quem adivinhar o dono da resposta leva um doce...

(Foto: Alzheimer Montreal / www.alzheimermontreal.ca)

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Aliás...

Viva o Bip-bip, que chega hoje aos 36 anos – mesma idade do AI-5, o funesto companheiro de aniversário do nosso querido botequim.

A propósito, vira e mexe fico imaginando o primeiro dia do Bip: o alfredinho da época levantando a porta pela primeira vez, o chiquinho daquele tempo chegando para beber umas batidas e um radinho de pilha anunciando o ato.

Será, aliás, que aquele 13 de dezembro de 68 já tinha um joão pinel?!

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10.12.04




O embate da noite

Única briga de mendigos sem arremesso de paralelepípedos (cousas da poesia), o clássico bossa-novista deste pôste foi o grande número da noite de ontem no Dagema, tendo sido defendido por um duo da pesada.

Num dos cantos do ringue, de boina verde, minha partner Áurea Martins. No outro, de camisa amarela (cantando a Florisbela, ô...), a querida-por-todos Ignez Perdigão – doce maranhense, brilhante instrumentista de cavaquinho y phlauta.

Os que prestaram atenção (hábbito raro nêste thypo de ambiente) precizaram tirar o lencinho do bôlso.

Sabe você
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Você é muito mais que eu sou
Está bem mais rico do que eu estou
Mas o que eu sei você não sabe
E antes que o seu poder acabe
Eu vou mostrar como e por que
Eu sei, eu sei mais que você

Sabe você o que é o amor?
Não sabe, eu sei
Sabe o que é um trovador?
Não sabe, eu sei
Sabe andar de madrugada
Tendo a amada pela mão
Sabe gostar, qual sabe nada
Sabe, não

Você sabe o que é uma flor?
Não sabe, eu sei
Você já chorou de dor?
Pois eu chorei
Já chorei de mal de amor
Já chorei de compaixão
Quanto a você meu camarada
Qual o quê, não sabe não

E é por isso que eu lhe digo
E com razão
Que mais vale ser mendigo
Que ladrão
Sei que um dia há de chegar
E isso seja quando for
Em que você pra mendigar
Só mesmo o amor

Você pode ser ladrão
Quando quiser
Mas não rouba o coração
De uma mulher
Você não tem alegria
Nunca fez uma canção
Por isso a minha poesia
Há, há, você não rouba não

(Imagem: CN Space / www.cnspace.net )

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O quê?! Brega?!

Não me venham criticar o mau gosto da vela de hoje, que o motivo de sua escolha não tem nada que ver com sua estética “pós-Dali de hipermercado”.

De tanto que o Botafogo anda precisado, optei por catar uma vela que estivesse bem acima das batatadas de nosso eleven – escapando, desta forma, de ter sua chama apagada por nossos lançamentos a esmo e shots equivocados.

Sendo assim, só mesmo uma vela levitada (fluctuante pra dedéo) para funcionar domingo, no Caio Martins, contra o Corinthians.
(Imagem: Australian Blind Golf Association www.blindgolf.org.au)

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9.12.04




Antonio Pedro

Estreante na internet aos 4 anos, o petiz da foto é meu sobrinho-afilhado, filho da minha irmã e alegria da família.

Tem, aliás, como não se alegrar com um sorriso desses?

Um babador, já.
(Foto: Pedro Paulo Malta, neste Mascavinhas)

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Faço gosto

Não tem os miolos muito equilibrados, é estourado, mas joga o fino. Seria uma baita aquisição pra camisa 10 no ano que vem.

Já que a realidade não vae bem, não custa brincar de projectar um 2005 melhor, certo?
(Foto: O Dia / www.odia.com.br)

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E ahy? Quem cae?

Approveytando o thema recorrente deste blógue que é o football, estou aceitando os palpytes dos amigos sobre quaes serão os treis rebaixaddos que se juntarão ao Gremyo na Segundona do anno que vem.

Meus pittacos, nada tendenciozos: Guarany, Victórea e Cricihuma (ou Paysandu).

Deus me ouça!

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8.12.04




8 de dezembro de 1994

Terminava o meu intercâmbio, faltavam oito dias para a volta, quando a mãe da família que me hospedava veio dizer que tinha morrido em Nova York “that man who composed The girl from Ipanema”.

Alguns dias depois, veio a ligação do Brasil: o pessoal falando do velório no Jardim Botânico, da Vieira Souto que já tinha trocado de nome e da edição da Veja (“Triste é viver sem Tom Jobim”), que por sinal devorei no avião de volta pro Brasil.

E os amigos, se lembram d’onde estavam quando souberam da morte de Tom Jobim?
(Foto: Jazzkaar / www.jazzkaar.ee)

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Tom, Vinícius e as senhoras bem lavadas...

Aproveitando que o dia é dele – e também de Oxum, N.S. da Conceição e de Florbela Espanca –, transcrevo um dos bons trechos de sua prosa no show de BH gravado no ótimo ...em Minas ao vivo piano e voz (Jobim Biscoito Fino).

Não que a porção musical do CD seja menos do que espetacular – o repertório manjadíssimo é valorizado pelo pouco que há na gravação (nad'além de sua voz, seu piano e a platéia) e pelo roteiro, organizado pelas parcerias.

Mas o quente está mesmo no conversê e, claro, na ofegância.

Com a palavra, Tom Jobim:

“O Vinicius, naturalmente, me levou para o grande mundo carioca. Me levou para casas em lugares altos que tinham piano de cauda, que tinham aquelas senhoras bonitas, bem lavadas, com dentes. Uma coisa muito bonita.

E eu era aquele rapaz da classe média que, quando o Vinicius me pediu para eu fazer a peça, eu andava com umas pastinha cheia de arranjos. Eu só escrevia arranjo... Competindo com o aluguel, né?

E eu perguntei ao Vinicius e ao Lúcio: ‘Escuta, tem um dinheirinho nisso?’ O Lúcio Rangel ficou escandalizado e disse assim: ‘Ô, Tom Jobim. Esse daí é o poeta Vinícius de Moraes!’ Eu digo: ‘Ah, bom. Mas eu queria sab...’” (risos ofegantes)

Então, a gente fez uns sambas assim meio sem-graça, uns sambas meio bobos, que a gente jogou na lata do lixo. Felizmente. Mas aí apareceu o primeiro samba bom, que eu vou tentar dar uma versão aqui... Tocar pra vocês, né?”

E toca a marcha Se todos fossem iguais a você.

(Foto: Terra Brasilis / www.terrabrasilis.org)

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Dous em hum

Trata-se de balela histórica a fusão dos Botafogos – não houve fusão de raiz e sim um clube de regatas encampado por um de futebol – mas dizem que é hoje o dia em que se comemora o tal marco, estabelecido em 1942.

Resolvi, portanto, pôr de lado as barbudices encyclopædicas para pedir aos Carlitos Rochas, Garrinchas e Augustos Fredericos Schmidts óptimos fluidos para o próximo domingo, dia 12.

Que venham, pois, o Corinthians e o fim do sofrimento por este ano!

Fotos: Brad the Game (www.bradthegame.com) / e-Photos (http://photos.wcam.ee)

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Sugiro pressa

...aos leitores do Rio que ainda não viram os filmes Peões (Eduardo Coutinho) e Entreatos (João Moreira Salles), que, completando a 4ª semana de exibição, já estão batendo em retirada – restam sessões no Paissandu, no Novo Jóia e no longínquo Barra Point.

Para os que dispuserem d’uma tarde inteira, então (estão ahy o sábad’e domingo), sugiro que assistam aos dois em seqüência – preferencialmente na ordem do outro parágrafo: primeiro o comovente relato dos ex-companheiros sindicalistas de Lula, depois o acompanhamento tête a tête da campanha “é só você querer...”.

Destaque neste último pro bom-humor de Luiz Inácio, seus causos, a cigarrilha, os palavrões e o tanto que seu carisma sobra em relação ao dos colegas Zé Dirceu, Mercadante, Gushiken e cia.

Bonequinho, enfim, applaudindo dipé as duas phittas.
(Foto: Confidencial / www.confidencial.com.ni)

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7.12.04


Parece dezembro...

Calor fritando nossos miolos, Globo cantando que “hoje é um novo dia...”, Luma fazendo vergonha (ô, mulher pra render escândalo...) e as escolas de samba botando pra quebrar nos ensaios técnicos da Sapucahy.

Ou eu tô maluco ou esse negócio de primavera só vale pra folhinha.

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Olha ele ahy!

Apoes longo sumiço, nosso Zazá resolveu acordar da hibernação e retommar em grande forma os trabalhos de seu AraCaju News.

Tão grande foi o silêncio que Zazá compensou com uma coleção completíssima de pôstes: tem viagem a Salvador, o calor inclemente de Aracaju, a Bellinha filha do Saulo e a mayor árvore natalina do mundo.

E tem também nossa Lu, sua presada espôza, sendo batizada na capoeira e arrasando nas cabriolas. Ela agora atende por Moranguinho (alcunha de capoeirista) e protege nosso Zazá contra as peixeiras cabruncas do Se(r)gipe.

Eita, porra!
(Foto: Museu da Vida/www.museudavida.fiocruz.br)

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Buenos Aires – robadonas y robadillas

1) As esquinas de tango – sejam manjadas, sejam lado B, cuidado com elas, pois são arapucas na maioria. Nem seriam se não fossem tão caras para os turistas, afinal um showzinho de tango pra-inglês-ver regado a vinho e empanadas não chega a ser uma furada descomunal. O pó são os 100 pesos que cobram do pobre turista e que não valem o show – para os locais, me disseram que a noitada sai a qualquer coisa entre 50 e 60.

2) A Feira de San Telmo: um calor inacreditável, turistas europeus com desodorante vencido, gente se espremendo diante das barraquinhas e aquelas quinquilharias nem-tão-espetaculares-assim. Muito melhor que a Plaza Dorrego, onde ocorre a feira, é andar por seus arredores, ver as belas lojas de antiguidades, dar um confere nos conjuntos de rua (um deles chama-se Orquestra Imperial!) e almoçar boa carne com cerveja gelada num daqueles pequenos restaurantes do bairro.

3) O Jardim Japonês: não é o pior dos programas e sua inclusão nesta lista talvez seja uma bayta injustiça, mas o facto é que não se trata de um passeio essencial, até pela belleza e qualidade dos outros parques de Palermo.

4) O Palais de Glace: antigo dancing com relativa importância na história do tango, este centro cultural da Recoleta não está com essa bola toda. Até vimos por lá uma boa exposição, coisa e tal, mas o prédio está caidaço, meio véio, essas coisas – e não tem café! Muito melhor é sentar-se no gramadão em frente e curtir os dias de sol, como fazem os eur..., ops, argentinos.

5) City tour: é útil, tem que fazer, mas deprime um pouco aquele negócio de descer do ônibus com a câmera pendurada no pescoço, olhar 10 minutos e saltar fora. Tem também o desconforto de você se sentir atração de circo desfilando pela cidade, recebendo dos locais olhares de estupefação e/ou ironia. Mas é obrigatório, sobretudo pros que nunca foram.

6) O atendimento do Café Tortoni: igualmente obrigatório (café centenário no Centro da cidade), tem um atendimento que é uma bosta – demorado, debochado, mal-humorado e outras coisas de Bar Lagoa (conterrâneos nossos sahiram de lá com a mesma impressão). Mas é bom ir, mesmo que seja só pr’um alô e um expresso rápido.

7) Globo Internacional: dá vontade de ver, não tem jeito. Pelo menos o JN e o RJTV o sujeito acaba vendo. E vê também comerciais inacreditáveis: igrejas evangélicas convocando brasileiros pelo mundo todo, criação de gado em Angola e showzinhos meia-boca nos EUA.
(Foto: Canal Kids/www.canalkids.com.br)

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6.12.04




Ôxe, aperreio da muléstia!

Enquanto meu Botafogo segue na luta para no ano que vem ser colega de divisão do recém-promovido Brasiliense, do ex-senador Luiz Estevão, deverá vir do Nordeste o grande mico Campeonato Brasileiro deste ano.

É que, com o rebaixamento que se avizinha para o Vitória e o provável fracasso de Bahia e Fortaleza no quadrangular final da Série B, a região deverá ficar sem representantes na elite do ano que vem.

Outro micão é o do Grêmio, mas ahy já é outra história.
(Foto: Baixinho / www.baxinho.alfenas.net)

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As co-irmãs

Quem nunca ouviu bicheiro chamando escola de samba adversária de "co-irmã" em dia de apuração?

Pois bem, dando um prossiga a um pôste de Paulamaya sobre as homenagens mútuas entre as escolas do Rio (um de meus themas prefferidos), resolvi hoje postar este Zé Kéti verde-e-rosa...

Quero morrer na Portela
Zé Kéti

Não sei o que é que tem
O que é que tem a Mangueira
Dona Neuma é uma beleza
Digo com franqueza
Tia Vicentina e Dona Rosária
Também trabalharam
E como lutaram na hora precisa
Mesmo na derrota elas nunca falharam
(Mano Décio da Viola!)

Mano Décio da Viola
Pertenceu a minha escola
Já brigou muito por ela
E hoje distante tem saudade dela
Se eu não fosse portelense
Eu seria mangueirense (tá na cara...)
Sem sair de Madureira (Mangueira...)

Pra curtir Mano Tinguinha
A minha comadre Zica e a Nininha Partideira
Lá da Estação Primeira (Mangueira...)
Para ouvir o Divino Cartola
Cantando pra nós uma linda canção
O Carlos Cachaça, poeta da raça
Brincando de samba, sambando no chão
Mangueira, eu queria viver pra você
Ah, se eu pudesse, seria um prazer
Mas é na Portela que eu quero morrer

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Buenos Aires – futbolísticas

1. “Cês têm algum time alvinegro por aqui?”, pergunto a um lojista, desejoso de comprar uns chaveiros pros amigos botafoguenses. “Tem uns dois”, responde o rapaz, “mas não estão na Primeira Divisão, não...” Pano rápido.

2. Falando em côres, si o Flamengo vae mal no Brazileiro, é um team rubro-negro o pule de 10 deste ano na Argentina: o Club Atlético Newells Old Boys, da cidade de Rosário. Ex-club de Batistuta e Maradona, a agremiação é liderada em campo por Ariel Ortega (o popular “Burrito”) e tem no banco o nosso Jardel.

3. Já o Flamengo de lá, tal de Boca Juniors, vae tão bem das pernas quanto o Flamengo daqui – não fosse esta Sul-Americana, a torcida boquense talvez também sahisse no pau com os jogadores. Principal rival do Boca, também não vae bem das pernas o Club Atlético River Plate – cruza de Vasco da Gama (diagonal) com Fluminense (origem fidalga).

4. Aproveytando o exercício lúdico de associação Brazil-Argentina, o Botafogo de lá talvez seja o alviceleste Racing Club, que ostenta passado gloriozo, presente claudicante e muitas glórias encyclopædicas, entre as quais um cartel de torcedores illustres que conta com os mythicos Carlos Gardel y Juan Domingo Perón. Seu patrocinador é a multi brasileira Petrobras, que tem como prezidente o alvinegro José Eduardo Dutra.

5. Já a galeria de ídolos do Botafogo encontra outro clube semelhante na Argentina. Trata-se do Boca Jrs., que na década de 1960 se fartou de comemorar gols de Paulo Valentim, ex-alvinegro que, pela quantidade de gols marcados contra o River Plate, entrou para a história do fútbol argentino como El Verdugo. Outro crack botafoguense contratado pelo Boca, este sem sucesso, foi Heleno de Freitas, em 1948.

6. Pelé não tem vez. Mesmo obeso, viciado y cada vez mais deprimente, Maradona é o maior de todos os tempos, el Diego de la gente, e não tem conversa. O rival não passa do melhor jogador brasileiro...
(Foto: Dani / www.bhdani.com)

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3.12.04


Do Estácio pra Lapa, via Vila Isabel

Neo-blogueiro dos melhores e sujeito que não resta a menor dúvida (assim mesmo, como dizia Aracy d’Almeida quando falava de um boa-praça), o meu amigo Lucaporto é o grande aniversariante do dia.

A ele dedico as palmas de hoje, as velinhas e este baita samba que começa fazendo menção a seu bayrro de nascimento – o resto, tal de palmeyra do mangue e “ser estrella é bem fácyl”, acho que não tem muito a ver...

Mas fica a dedicatórea, os parabéns effuzivos e uma hommenagem por tabella a Villa Izabel – bayrro noëlesco onde nosso aniversariante foe creado.

Salve o Boga!

O x do problema
Noel Rosa

Nasci no Estácio
Fui educada na roda de bamba
Fui diplomada na escola de samba
Sou independente, conforme se vê
Nasci no Estácio
O samba é a corda, eu sou a caçamba
E não acredito que haja muamba que possa fazer
Gostar de você

Eu sou diretora da Escola de Estácio de Sá
E felicidade maior nesse mundo não há
Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema
Ser estrela é bem fácil, sair do Estácio é que é
O x do problema

Você tem vontade
Que eu abandone o Largo do Estácio
Pra ser a rainha de um grande palácio
E dar um banquete uma vez por semana
Nasci no Estácio
Não posso mudar minha massa de sangue
Você pode crer que palmeira do mangue
Não vive n'areia de Copacabana

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Buenos Aires – imperdíveis (melhor si for a dous)

1. Caminhar pelos parques de Palermo, especialmente no Jardín de las Rosas – lindo, florido, gratuito, com lago, ponte e uma pá de bustos (um deles de Borges).

2. Comer empanadas e beber Quilmes – cerveja nacional de lá (embora de propriedade da Ambev), encorpada, saborosa e doirada. Uma beleza. Indico as empanadas de carne, geralmente muito bem temperadas.

3. A filial da livraria El Ateneo na Avenida Santa Fé (esquina com Callao), que funciona no prédio de um antigo cine-teatro, o Grand Splendid, erguido em 1903. Estantes no que seriam platéia e dois andares de galeria, salas de leitura nas frisas e um café no palco – o agradabilíssimo Café Imprenta.

4. Os restaurantes La Farola e La Querencia. O primeiro, simplezinho e com ares de lanchonete, fica em frente à mega-livraria indicada acima e ostenta o título informal de "melhor milanesa" da cidade (excelente também é o atendimento). O segundo, mais muderno e localizado entre a Recoleta e o Bairro Norte, serve comida regional – agradaram em cheio as empanadas e o locro (sopão de carnes, embutidos e milho).

5. Conversar com os taxistas – geralmente bem informados, politizados e ácidos. Teve desde “o que vocês estão fazendo aqui?” a “esperamos que o Kirchner não seja como o Lula”, passando por uma breve aula sobre onde nasceu o tango e um trívia sobre o Brasil, proposto por um ex-motorista da embaixada brasileira.

6. Alfajores Havanna – às caixas ou avulsos, são um espetáculo. Sugere-se também o expresso das lojas Havanna, servidos à moda européia: com um copinho de água mineral, além do biscoito – acompanhamentos que são costume nas melhores casas do ramo.

7. Pedir nos restaurantes os vinhos da casa. Os que provei estavam excelentes – claro, pro meu gosto vira-lata que aprova até o vinho do Bip.

8. Museo da la Pasión Boquense: localizado no estádio da Bombonera, é visita obrigatória aos fans do football. O acervo tem belíssimas camisas antigas do Boca, uma galeria descomunal de ídolos, multimídia a dar com pau e uma reprodução em miniatura do bairro da Boca no início do século. Só faltou o diabo do city tour me dar mais tempo para ver direito essas coisas...

9. A Recoleta, chique às pampas, onde à noite se desfruta a vida bohemia à beira do cemitério – o sujeito bebe cerveja ao ar livre e, de quebra, dá umas olhadas no topo dos mausoléus, por cima do muro de tijolos antigos. Perto da região dos bares, a sorveteria Munchie’s também é uma pedida.

10. O periódico El Clarín, que, além de competentíssimo y complecto (inclusive sobre nosso paiz), ainda quebra um galho e tanto pros turistas: basta carregá-lo debaixo do brazo para que se reduzam suas chances de ser importunnado pellos pegajozos vendedores de caxemira e cuero.

11. Comer carne todos os dias - bife de chorizo (o da foto), bife de lomo, ojo de bife, milanesa, etc. Escolher o melhor é que são elas.

(Foto: Gueldner Import & Export / www.gueldner.net)

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2.12.04


Pensou que eu não vinha mais, pensou...

O descanso do guerreiro não tinha mais fim, mas não pude resistir.

Foram tantos clamores direcionados a minha caixa de e-mails (“Volte logo, Mascavinhas!”, “Quéde tu, oh, grandiozo eschriba?”, “¿Donde estás, Mascavillas?”) que decidi acabar com essa palhaçada de recesso.

Diga ao povo que estou de volta, assim como retorna o velho leiaute laranja e amarelo cueca – quem tiver gostado do leiaute azul y amarillo que vá encontrar um blógue thypicamente porteño.

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Cuidado, vovó...

Filho ilustre do Morro da Casa Branca e cria da Unidos da Tijuca, o amigo Marcos Alcides da Silva, vulgo Esguleba, foi temma do quadro A cara do Rio, do RJTV de antehontem.

Pros que não puderam assistir, aqui vae, neste dia do samba, o link pro texto da boa matérya de Arnaldo Duran.
(Foto: RJTV / www.globo.com/rjtv)

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Buenos Aires – primmeyras curiozidades

1) O canal TYC Sports, que transmite jogos de futebol sem transmitir – manda caminhão pro estádio, abre transmissão, narra o jogo, mas só mostra a torcida. Isso mesmo: só imagem de arquibancada. Se tem gol, é torcedor pulando. Se a bola vai na trave, é torcedor arrancando os cabelos. Se o jogo tá chato, é torcedor comendo pipoca.

2) Um embuste: a Casa Rosada só é rosada na frente (fachada, literalmente). As paredes laterais e a de fundos são cinza escuro – cor de prédio antigo, como o Theatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes. Está fotografada a pantomima – mostro depois.

3) Outro senão: a portentosa Avenida 9 de Julho, versão muito bem-sucedida de nossa Presidente Vargas e alardeada por lá como a mais ancha do mundo, não é tão larga assim. Só as pistas do meio chamam-se 9 de Julho – as pistas da “margem” norte são Av. Carlos Pellegrini; as da “margem” sul, Av. Cerrito. Ou seja, mais ancha é o cacete.

4) Embuste tanguero: o cantor Carlos Gardel era francês; o letrista Alfredo Le Pera, paulista; e o mega-sucesso do gênero, La cumparsita, foi composto pelo uruguaio Gerardo Matos Rodríguez. A lista é costumeiramente apresentada por brasileiros que desejam pisar-lhes os callos.

5) Há por lá cinco typos de gente, em thermos de aparência: as Mafaldas ou Maradonas, de pele branca e cabelo bem preto; os Pedros Mirandas (como a turma anterior, mas de pele morena); os índyos (Mercedes Sosa y cia.); os europeos (Kirchner y otros alourados) e os brazileiros (carregados de sacolas ou enchendo a cara de alfajor).

Aguardem os próximos eppizódeos da série.
(Imagem: Quino, em Sysop / www.sysop.com.mx)

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